AUTORIZAÇÃO - Eles me deram a chance de viver mais um pouco'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Há 15 anos o aposentado Antonio Tavares da Silva, de 60 anos, recebeu um novo coração. Do diagnóstico da Doença de Chagas até a cirurgia que lhe deu uma segunda chance de vida foram sete anos de muito sofrimento. "Depois que descobri que tinha a doença eu vivi bem por quatro anos, mas em 1998 a coisa complicou para o meu lado. Comecei a sentir falta de ar e cansaço. Mas no final de 2000 o bicho pegou de verdade. Não conseguia mais trabalhar, não me alimentava bem e tinha uma tosse seca e bem forte dia e noite, o que me impedia de dormir", relembrou.
Em dezembro de 2000 seo Antonio teve o primeiro contato com a equipe de transplantes da Santa Casa de Londrina, quando entrou na fila de espera por um órgão. "Entrei na fila por entrar. Não acreditava que fosse aparecer um coração para mim", confessou. "Mas era muito sofrimento. Todos os dias eu estava no pronto-socorro da Santa Casa para aliviar o mal-estar que sentia."
A história começou a mudar em outubro de 2001 quando a família de um rapaz de 19 anos que teve morte encefálica após sofrer um acidente de moto autorizou a doação dos órgãos. O coração de 34 anos de existência que hoje bate no peito do sexagenário permitiu que Antonio acompanhasse o crescimento dos três filhos e o nascimento dos netos Pedro Henrique e João Pedro, emoções das quais ele teria sido privado não fosse o gesto de amor e de desprendimento de uma família que em um momento de dor pela morte precoce de um parente optou por prolongar a vida de um desconhecido.
"Recebi a ligação do hospital e me deram 30 minutos para eu decidir se faria ou não o transplante. Tinha medo porque, bem ou mal, o coração que eu tinha estava funcionando. Com o transplante, não sabia o que iria acontecer. Foi uma decisão difícil, mas decidi tentar", contou o aposentado. "Tive uma graça muito grande. A família talvez não tivesse noção do tamanho do ato que tiveram. Eles me deram uma nova vida e a chance de viver mais um pouco. Foi um gesto grandioso em um momento de muita dificuldade para eles."


