Autoridades esquecem bate-boca
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segunda-feira, 09 de junho de 1997
Da Redação 
Milton DóriaTrégua aparenteO prefeito Antonio Belinati e o secretário Cândido Martins de Oliveira se cumprimentam: depois de muita discussão, ânimos serenosDepois de muito bate-boca e troca de ironias, o encontro entre o prefeito de Londrina, Antonio Belinati, e o secretário estadual de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, foi muito mais ameno do que se poderia supor. Nenhum dos dois se arriscou a tocar em temas polêmicos e ficaram longe do clima amargo que marcou a relação de ambos nas últimas semanas.
A crise foi instalada sobretudo após a decretação de estado de emergência em Londrina, em relação à segurança, e que teria sido ironizada pelo secretário. O prefeito comentou na ocasião que a posição de Martins ofendeu todas as pessoas que o ajudaram a tomar uma decisão. Depois, ainda criticou a não dispensa de licitação para construção da Prisão Provisória, lembrando que o governo de Jaime Lerner não licitou a obra do Canal Extravasor, na capital do Estado.
Ontem a situação era diferente. Cândido Martins era o que mais procurava mostrar que o relacionamento entre ele e o prefeito estava absolutamente normal, apesar de algumas divergências. A nosso relação está mais solidificada e amistosa do que nunca. Entre amigos pode haver divergências e eu até entendo a angústia dele, mas as divergências não se sobrepõem ao respeito mútuo que sempre nos uniu.
O secretário de Segurança também lembrou da crise com o Poder Judiciário depois que uma liminar do Governo proibiu que o juiz corregedor Roberto Ferreira do Vale interditasse outros distritos policiais - além do 5º DP - sem condições de funcionamento. Em caráter oficial, eu quero testemunhar o nosso respeito pelo Poder Judiciário, pelo convívio fraterno e edificante como determina a Constituição.
O juiz corregedor Roberto do Vale também estava na reunião e preferiu não entrar em polêmica com o secretário. Parece que agora a comunidade pode ficar mais tranquila, com a construção da Prisão Provisória, declarou, lembrando que a até então a Cidade tinha ficado esquecida pelo Governo do Estado na área da segurança.
Antonio Belinati optou também por não comentar a crise com a Secretaria de Segurança, aparentemente solucionada na reunião de ontem.
Vários moradores dos jardins Acapulco e Del Rey estiveram no gabinete do prefeito para acompanhar a reunião e saíram aparentemente convencidos de que a construção da Prisão Provisória, na região sul, não vai afetar a segurança da população.
Pelo menos era essa a posição do presidente da Associação de moradores dos dois bairros, Paulo Roberto Machado. Diante da afirmação do secretário, de que realmente será iniciado o projeto da Cadeia Pública em outro local, nós moradores concordamos com a criação da Prisão Provisória, comentou Machado.
Quem não estava completamente satisfeito com o encaminhamento dado ontem para a construção da Prisão Provisória era o imobiliarista Abílio Medeiros, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Para ele, o processo de licitação é demorado - em vista da situação da segurança - e deveria ser dispensado com a decretação de estado de emergência.
Além da Prisão Provisória, a construção da Cadeia Pública no distrito de Maravilha está assegurada, segundo o secretário de Obras Augusto Canto Neto. Segundo ele, até agosto será concluído o projeto e a partir daí será feita a licitação para a obra.
(Lúcio Horta)


