Para as autoridades de saúde de Foz do Iguaçu, o problema é gerencial. ‘‘Não faltam médicos, falta competência, coragem e uma política para o setor’’, diz o médico José Elias Aiex Neto, ex-presidente da Associação Médica do Paraná e membro do Conselho Municipal de Saúde.
Aiex vai longe e denuncia a existência da ‘‘máfia branca’’, que, segundo ele, prega ‘‘quanto pior o sistema público de saúde, melhor para a iniciativa privada’’.
O diretor da 9ª Regional de Saúde, Alceu Bizeto, não concorda com a existência da máfia branca, mas faz uma concessão. ‘‘Como em todos os setores, existe o corporativismo’’. Ele não classifica a saúde pública em Foz do Iguaçu como caótica, mas diz que ‘‘o setor vive um pré-caos’’.
O secretário municipal da Saúde, Sadi Buzanelo, afirma que houve precipitação da Santa Casa em anunciar o descredenciamento do SUS. ‘‘Isso não é solução para o problema’’, diz.
Para o secretário, a indisponibilidade dos 70 leitos da Santa Casa reservado para o SUS não vai trazer grandes impactos. ‘‘Nós sabemos que o hospital nunca reservou esse total para o atendimento público. A Santa Casa reserva cerca de 45 leitos para o sistema público’’, afirmou.
O diretor do SUS não acredita que processo de descredenciamento da Santa Casa seja concluído. ‘‘Não existe meio descredenciamento do SUS. Há o hemocentro, por exemplo, que atende pacientes de hemodiálise. Se fechar, eles morrem e a Santa Casa não vai fazer isso’’, acredita Bizeto.
O secretário de Saúde questiona o descredenciamento. Segundo ele, a Santa Casa goza de incentivos fiscais e não paga água e luz. ‘‘Há privilégios por ser um hospital filantrópico. Será que o hospital vai abrir mão disso?’’, questiona.
Intervenção Desde o início do ano, quando assumiu a Secretaria, Buzanelo estuda a possibilidade do município intervir na Santa Casa. Ele nega a medida, mas diz que reconhece a dificuldade do hospital. ‘‘Porém, não vamos nos furtar de tomar medidas extremas. Quando há risco de vida, existem mecanimos legais’’, disse.
Para intervir na Santa Casa, o prefeito Harry Daijó (PPB) teria que decretar estado de calamidade pública e requisitar leitos dos hospitais particulares para atender o sistema público.

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