Autoridades divergem sobre fiscalização
Nas quatro vezes em que a Folha fez o percurso com a linha da Ouro Branco, o problema da superlotação se mostrou mais preocupante nas viagens de volta. Além de parar em pontos aleatórios da BR-369, muitas dessas acolhidas de passageiros sem bilhete foram feitas bem próximo a postos da Polícia Rodoviária Estadual. Em nenhuma das ocasiões o veículo foi parado por algum tipo de fiscalização.
Como o maior volume de passageiros em pé foi verificado a partir de Cornélio Procópio, a reportagem conversou com o chefe da Polícia Rodoviária de lá. Segundo o sargento José Córdoba, esse tipo de caso é apurado apenas se constatado pelos policiais. ''Se o ônibus passa em frente ao posto e nós vemos a infração, aí paramos o veículo. Não ficamos parando ônibus na estrada'', diz. Ele acrescentou que a reclamação feita pela Folha foi a primeira que ele recebeu. ''Vamos verificar e, se preciso, mudar a rotina'', resume.
Já o coordenador da fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em Londrina, José de Carvalho, explica que a ação dos quatro fiscais é feita apenas na rodoviária. Ele admite que é mais difícil flagrar abusos operando dessa forma. ''Por isso mesmo contamos com um convênio com a Polícia Rodoviária Federal para que ela faça as autuações quando necessário, e depois nos encaminhe o caso'', afirma.
De acordo com Carvalho, as ocorrências mais comuns envolvendo empresas de ônibus tratam do desvio de itinerário sem autorização. Além dessa, outras infrações assim relacionadas pela ANTT prevêem multa de R$ 700 a R$ 3,5 mil - como, por exemplo, a que dispõe sobre a obrigatoriedade do cinto de segurança. ''Não se pode transportar pessoas em pé nessas linhas entre Estados, é um risco de fato à segurança delas. Se o passageiro nos encaminha uma reclamação dessas, com certeza vamos apurar e, se for o caso, repassá-la à nossa sede em Brasília para que se tomem as medidas necessárias'', garante.
O assessor-geral da empresa Ouro Branco, Edson Cabrera, informou que o fluxo de passageiros é maior apenas em feriados prolongados:''No período normal, temos uma taxa de ocupação de 60%, no máximo''.
A respeito da venda de passagens além da capacidade, Cabrera declarou que isso só ocorre ''em situações de pico, quando algum funcionário desatento vende com antecipação''. Sobre aqueles que sobem ao longo da rodovia, porém, argumentou: ''Ocorrem eventuais exceções. Não dá para apenas criticar, sem atentar à condição de quem espera à beira da rodovia. O ideal é essa pessoa ir sentada, mas quando o percurso é pequeno, tenho preferido não deixá-la esperando''. (J.G.)





