Autoridades discordam sobre segurança pública
Paulo WolfgangDuas versõesAutoridades reunidas ontem na Câmara de Vereadores discutiram a questão da segurança pública em Londrina. Houve polêmica: para vereador, situação é grave. Para delegado da Polícia Civil, tudo está sob controleNão houve consenso sobre o nível de insegurança e o aumento da criminalidade em Londrina, entre as autoridades do setor de segurança pública que participaram de uma reunião, na tarde de ontem, na Câmara de Vereadores. O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e de Segurança Pública da Câmara, vereador Salvador Francisco (PSDB), e membros do Conselho Comunitário de Segurança denunciaram o aumento da criminalidade e da onda de violência na Cidade, enquanto que os chefes da Polícia Civil (PC), Vanderci Corral Fernandes, e da Polícia Militar (PM), tenente-coronel Marino Ari Burille, consideram que a situação está tranquila e sob controle.
Os assaltos com violência têm aumentado muito, nos últimos meses, principalmente nas áreas periféricas da Cidade. As polícias dizem que está tudo calmo, mas não é verdade. Casas, lojas, bares e automóveis são assaltados em todas as regiões, à luz do dia. Só não há mais mortes porque as pessoas assaltadas felizmente não estão reagindo, comentou Salvador Francisco.
Segundo o vereador, nada do que o Governo do Paraná prometeu em novembro do ano passado foi cumprido até agora para diminuir o caos no setor da segurança pública em Londrina. Os distritos policiais continuam superlotados, com rebeliões e tentativas de fugas constantes. Disseram que a Prisão Provisória ficaria pronta em fevereiro, mas as obras devem demorar ainda mais dois meses. Prometeram construir a Cadeia Pública, mas o edital para a licitação da obra ainda não foi divulgado, criticou.
De acordo com Salvador Francisco, outras promessas antigas são a instalação da Delegacia de Entorpecentes e a efetiva atuação da Patrulha Escolar, nos moldes da que existe em Curitiba desde maior de 97. Setenta por cento da criminalidade e da violência praticadas em Londrina estão relacionadas a venda, compra e consumo de drogas, que têm aumentado assustadoramente em nossas escolas. Precisamos de mais efetivo nas polícias, operações de desarmamento, combate ao tráfico e blitze mais constantes na periferia. Antes que o caos aumente e a situação fique insustentável.
O delegado-chefe da Polícia Civil, Wanderci Corral Fernandes, discordou do vereador, rebateu as críticas e disse que a situação está sob controle. Temos ocorrências, mas em nível normal para o tamanho da Cidade. No ano passado, tivemos apenas um latrocínio (assalto seguido de morte), e os assaltos à mão armada já começam a diminuir também, depois que prendemos nos últimos dois meses 32 assaltantes.
Na opinião do delegado, a situação deve melhorar bastante a partir de abril ou maio. Em março, haverá concurso para a contratação de 40 investigadores e 12 escrivães. Com eles, poderemos colocar em funcionamento a já criada Delegacia de Entorpecentes e reforçar outros setores da PC. Em abril ou maio, com o fim da construção da Prisão Provisória, poderemos mandar para lá os presos que hoje superlotam e tornam inseguros os distritos, ressaltou Wanderci.
Estiveram presentes à reunião também o deputado estadual José Tavares (PTB) e o juiz corregedor da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle. Nova reunião sobre o tema foi marcada para o dia 18, para a qual serão convidados os secretários estaduais de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, e da Justiça, Eduardo da Rocha Virmond.





