Paulo Pegoraro
De Cascavel
A prisão do auxiliar de mecânica Augusto Ferreira de Lima, 22 anos, na noite de quarta-feira, e sua apresentação pela Polícia Civil, anteontem, como autor de 15 estupros registrados em Cascavel, 13 contra menores, apresenta muitas contradições. O acusado inicialmente confessou ser autor da série de crimes, mas negou em seguida. Mais tarde, admitiu parte dos estupros e denunciou ter sido torturado para fazê-lo. A polícia também admite que ele não praticou todos os 15 estupros mas nega a denúncia de tortura.
Outra contradição é o reconhecimento feito por parte das vítimas. Das nove mulheres que estiveram na delegacia, cinco o reconheceram. As demais foram taxativas ao descartá-lo como o homem que as atacou. A Polícia havia feito três retratos falados diferentes, com base em descrições feitas por vítimas. Augusto Ferreira de Lima se parece com um deles – o primeiro elaborado.
E a série de estupros, iniciada no ano passado, pode não ter acabado. Na madrugada de ontem houve uma tentativa contra uma mulher atacada em um ponto de ônibus, mas ela conseguiu fugir. O autor era moreno e usava uma faca – à semelhança de Augusto. O auxiliar de mecânica também demonstra descontrole de raciocínio. Ao ser apresentado à imprensa chegou a posar para fotos, sorrindo e fazendo o ‘‘V’’ de vitória com os dedos. Augusto não demonstrou contrariedade quando alguns repórteres de rádio lhe perguntaram se era homossexual.
Ontem, no Minipresídio – onde está sozinho em uma cela –, não demonstrava abatimento. O auxiliar de mecânica sustenta que foi ‘‘espanqueado’’ (espancado) por policiais, que também lhe cobriram o rosto com uma toalha e despejaram ‘‘água com detergente’’ em sua boca. Augusto diz não saber onde aconteceu a tortura – ‘‘foi numa casa’’. Ele diz que confessou os estupros porque não aguentou a tortura.