Duas autoras de livros sobre métodos de ensino musical, de Londrina, estão acusando o Instituto Filadélfia de plagiar e vender suas obras por meio de fotocópias encadernadas aos alunos dos cursos de música oferecidos pela instituição. As autoras são Magdalena Raush Souto, que escreveu e editou a série ‘‘Gênios do Teclado’’ (Edições Musicais), com mais de 40 livros didáticos e de repertório; e Miriam Nagata Kawanishi, também autora e editora da série didática ‘‘Método Didático para Órgão e Teclado’’ (Studio Musical). As duas séries são reconhecidas em todo País e já venderam, somadas, mais de 200 mil exemplares.
Elas afirmam que, depois de descobrir que os livros poderiam estar sendo ‘‘pirateados’’ pelo Filadélfia, entraram com ações na Justiça para impedir que a irregularidade continuasse. Na ação, pedem também ressarcimento por danos financeiros e morais. Os processos ainda estão na fase inicial, mas pelo menos uma vitória as autoras já conseguiram: no final do ano passado, juízes da 2ª e da 7ª Vara Cível, onde os casos estão tramitando, atenderam pedidos de ‘‘antecipação de tutela’’ e determinaram que o Filadélfia parasse de fazer as cópias.
Obras que estariam sendo copiadasMagdalena Souto conta que soube da irregularidade em agosto do ano passado, através de uma aluna dela, que comprou um livro da série ‘‘Gênios do Teclado’’ em fotocópias encadernadas. Segundo ela, o Filadélfia dava até recibo da venda, em papel timbrado e discriminando que se tratava de ‘‘apostila’’ de música. Na mesma época, outras pessoas ligaram para a escola de música de Magdalena perguntando quanto custavam os livros. Quando eram informadas que o valor era de R$ 15,40, diziam que no Filadélfia poderiam comprar por R$ 7,00.
Indignada, a autora conta que pediu para que duas amigas de confiança fossem até a escola e se passassem por interessadas no curso de música do Filadélfia. ‘‘Elas se matricularam na escola e compraram os livros. E eles ainda diziam que o (livro) deles é mais barato, é só o custo do xerox’’, recorda Magdalena. Segundo ela, a escola fotocopiou todo o livro e carimbou, sobre o nome do verdadeiro autor, o nome de uma professora chamada Juliana Azevedo. Detalhe: a ‘‘matriz’’ em que eram feitas as fotocópias havia sido doado à Biblioteca Newton Guimarães, da Escola Newton Guimarães, da Vila Brasil (área central). ‘‘Como foi parar lá não sabemos.’’
Miriam Kawanishi tomou conhecimento do caso através da própria Magdalena Souto. Antes disso, no começo do ano passado, ela foi procurada por uma diretora do Filadélfia, chamada Débora, pedindo informações sobre o método de ensino da autora. Perguntou também se a escola de Miriam, a Studio Musical, poderia ceder professores para implantar o curso de música no Filadélfia. E foi informada que poderia comprar as coleções a preços especiais. ‘‘Depois ela ficou de me dar uma resposta e não deu mais retorno’’, aponta. Miriam Kawanishi acrescenta que, na sequência, ficou sabendo que uma ex-aluna, que abandonou a escola de música, virou professora no Filadélfia sem ter a formação musical mínima.
As duas autoras, embora concordem que a prática do plágio de obras didáticas é comum no País - sobretudo em centros universitários -, observam que uma instituição de ensino como o Filadélfia tem que incentivar os alunos a respeitar as leis, como a dos direitos autorais, e os autores. ‘‘Existe um liame (ligação) entre a obra e o autor. Eu não transferi nem dei direito a ninguém de usar minha obra. Isso é uma ofensa moral e financeira. Queremos que isso seja cessado no Brasil e que outros escritores se juntem a nós nesse esforço pela literatura’’, conclama Magdalena Souto.

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