Autor dos tiros é condenado a 18 anos
Autor dos tiros é condenado a 18 anos
Paraíba voltou a dizer que fez tudo sozinho e foi enquadrado na lei dos crimes hediondos, num julgamento que durou 12 horas
Sid Sauer
Correspondente
Edson GuittiRegime fechadoNo julgamento, o ex-funcionário municipal, Paraíba, disse que era constantemente humilhado pelo ex-prefeito de Goioerê, José Paulo NovaesGOIOERE - O ex-chefe do almoxarifado da Prefeitura de Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourao), Admílson de Souza Pereira, o Paraíba, de 31 anos, foi condenado a 18 anos e 2 meses de prisao pelo atentado contra o entao prefeito do município, José Paulo Novaes (PDT), e pela morte da comerciante Neuza Ely Farias, de 35 anos. A sentença foi dada anteontem à noite, num julgamento que durou 12 horas. O crime aconteceu na noite de 14 de junho de 1995.
O julgamento provocou a formaçao de filas na porta de entrada do Fórum de Goioerê e foi realizado sob forte esquema de segurança. Só a Polícia Militar colocou 40 homens na sala do Tribunal do Júri e nas proximidades do Fórum. A Polícia Civil também ajudou com outros oito homens. Paraíba foi enquadrado na lei dos crimes hediondos e ficará preso em regime fechado.
A principal expectativa do julgamento - que Paraíba envolvesse outras pessoas no atentado -, nao aconteceu. Ele voltou a assumir sozinho o crime, inocentando Ronaldo Wilson Hernandes e Fábio Henrique Afonso e o ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz. O acusado disse que tentou matar o ex-prefeito porque vinha sendo humilhado por Novaes. Paraíba confirmou que o prefeito queria que ele matasse o presidente e o advogado do Sindicato dos Servidores.
O esperado depoimento do ex-prefeito, que estava entre as testemunhas, também nao aconteceu. Novaes foi dispensado pela Promotoria. Mesmo com Paraíba tendo assumido toda a culpa, os jurados reconheceram, por cinco votos a dois, que ele agiu mediante pagamento ou promessa de recompensa. A tese foi defendida pelo promotor William Gil Pinheiro Pinto, de Altônia. O ex-assessor jurídico da Prefeitura, Antônio de Jesus Filho, trabalhou como assistente da Promotoria.
Os advogados de Paraíba, Carlos Cruzado e Adocival Cavalcante, usaram a tese de que o acusado era epilético e agiu sob furor compulsivo. Eles sugeriram que ele fosse internado numa clínica especializada. Argumentaram ainda que ele se sentia ameaçado pelo entao prefeito. Por ter confessado o crime, Paraíba ainda teve a pena reduzida em seis meses.
Dois dos outros três acusados pelo atentado - Ronaldo Wilson Hernandes e Fábio Henrique Afonso -, serao julgados no próximo dia 14. O ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz, que é acusado de ser o mandante do atentado, continua foragido.





