Autor de atentado vai a novo julgamento em Campo Mourão
Sid Sauer
O ex-chefe do almoxarifado da Prefeitura de Goioerê (72 quilômetros a oeste de Campo Mourão), Admílson de Souza Pereira, conhecido como Paraíba, vai ser julgado hoje pela segunda vez pelo atentado contra o então prefeito da cidade, José Paulo Novaes (PDT), ocorrido em junho de 1995.
O julgamento de Paraíba está marcado para começar às 9 horas, no Fórum de Goioerê. No ano passado, quando foi julgado pela primeira vez, o ex-funcionário público foi condenado a 18 anos e 2 meses de prisão.
O primeiro julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça há cerca de seis meses. O TJ acatou pedido apresentado pelo advogado José Aparecido Borges dos Santos, que na oportunidade alegou erros no processo. Borges é quem vai defender Paraíba.
Ontem à tarde, o advogado informou à Folha, por telefone, que ainda estava analisando qual a melhor tese a ser defendida. Ele admite que o caso é difícil e considera que uma redução de pena já pode ser vista como vitória.
Será minha prova de fogo, disse o advogado, que nunca participou de um júri sozinho. Paraíba, que estava preso em Curitiba, aguarda o julgamento na cadeia de Goioerê desde novembro, quando ocorreu o adiamento.
Nesse período, houve até fuga na cadeia local, mas ele não quis fugir. Logo após o atentado, Paraíba chegou a fugir da cadeia de Umuarama, mas foi recapturado na Grande São Paulo, onde trabalhava como pedreiro.
Humilhado O ex-servidor público é réu confesso. Ele tentou matar o então prefeito com uma escopeta, dentro de um restaurante, no centro de Goioerê. Novaes reagiu e ficou apenas ferido, mas uma mulher que estava no local morreu com um dos tiros disparados por Paraíba.
A polícia acredita que o mandante do atentado é o ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz, que está foragido desde o crime. Paraíba, no entanto, diz que agiu sozinho.
Dois outros acusados de participação no atentado, Ronaldo Wilson Hernandes e Fábio Henrique Affonso, também já foram julgados. Hernandes, que atuou como motorista de Paraíba, foi condenado a 17 anos e 6 meses. Affonso, acusado de participar da elaboração do crime, foi absolvido.
A exemplo do julgamento anterior, a expectativa em Goioerê é que Paraíba incrimine Cruz. Até hoje, ele insiste em dizer que queria matar Novaes porque vinha sendo humilhado pelo prefeito.





