O ex-chefe do almoxarifado da Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), Admílson de Souza Pereira, o ‘‘Paraíba’’, conseguiu um habeas-corpus e vai ficar em liberdade pelo menos até o seu terceiro julgamento, na terça-feira. Ele é acusado de ter matado a comerciante Neuzely Farias durante o atentado contra o então prefeito de Goioerê, José Paulo Novaes (PTD), em junho de 1994.
O habeas-corpus foi conseguido pelo advogado dele, José Aparecido Borges dos Santos, o mesmo que já havia conseguido anular os dois primeiros julgamentos de Paraíba. ‘‘Ele já estava preso há três anos sem ter sido julgado’’, diz o advogado. ‘‘Isso caracteriza excesso de prazo’’. Segundo Borges, o fato dos dois júris de Paraíba terem sido anulados é como se ele nunca tivesse ido a julgamento. O advogado também argumentou no pedido de habeas-corpus que a Justiça não ratificou na sentença de pronúncia o pedido de prisão preventiva contra o acusado.
De acordo com Borges, desta vez Paraíba não poderá mais ser julgado por ter agido mediante promessa de pagamento. ‘‘Isso nunca existiu’’, diz. Foi com esse argumento que Borges conseguiu convencer o TJ a anular os dois júris já realizados.
Paraíba foi a júri pela primeira vez em fevereiro do ano passado e, pela segunda, em fevereiro deste ano. Outro acusado de participação no atentado, Ronaldo Wilson Hernandes, foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão. Um terceiro acusado, Fábio Henrique Afonso, o ‘‘Binho’’, chegou a ser absolvido, mas também teve o julgamento anulado. Já o acusado de ser o mandante do atentado, o então vereador Edilaldo Machado da Cruz, fugiu e ainda não foi a júri. Ele tem prisão preventiva decretada.
O atentado contra José Paulo Novaes aconteceu dentro de um restaurante, no centro de Goioerê, na noite de 14 de junho de 1995. Paraíba usou uma escopeta para atirar contra o então prefeito, mas acertou o tiro na comerciante Neuzely Farias, que morreu no local. Apesar da polícia achar que Paraíba agiu a mando de Cruz, o autor dos disparos disse nos dois julgamentos que agiu por conta própria porque vinha sendo ‘‘humilhado’’ pelo então prefeito.
O comerciário Fábio Henrique Afonso, o ‘‘Binho’’, vai a novo julgamento amanhã, a partir das 9 horas, em Goioerê, sob a acusação de ter participado do atentado contra o então prefeito da cidade, José Paulo Novaes (PDT). Binho foi julgado pela primeira vez em maio do ano passado, quando acabou absolvido, mas o júri foi anulado em junho deste ano a pedido do promotor Nelsino Moura Oliveira, que entrou com recurso contra a sentença.

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