Quem passou ontem de manhã pelo Calçadão de Londrina teve a oportunidade de aprender uma técnica que pode ser bastante útil no dia a dia – medir o próprio ritmo cardíaco. A orientação sobre como fazer o autoexame foi feita por profissionais do Hospital do Coração, dentro da programação do Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas. A ação, de cunho educativo, foi encabeçada pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac). O lema da campanha é "Coração na batida certa".
"É uma técnica fácil que pode ser feita em qualquer lugar", explicou o coordenador municipal da iniciativa, o cardiologista Antônio Nechar Júnior. Basta posicionar os dedos médio e indicador sobre o pulso ou artéria carótida, no pescoço, e contar a pulsação da área por 15 segundos. O número obtido deve ser multiplicado por quatro, o correspondente a um minuto. Em adultos em repouso, a pulsação considerada normal está entre 60 e 100 batimentos cardíacos por 60 segundos. "Se a pessoa apresentar acima disso ou abaixo, é um sinal para procurar atendimento médico", assinala Nechar.
Na prática, as arritmias cardíacas são alterações que ocorrem na geração ou na condução do estímulo elétrico e modificam o ritmo cardíaco. Em geral, podem se apresentar como taquicardia, quando o coração bate rápido demais, e bradicardia, quando as batidas são muito lentas e em descompasso. A consequência mais grave é a morte súbita. Entre os sintomas de arritmia cardíaca estão palpitações, desmaios, escurecimento da visão, tonturas, confusão mental, fraqueza e dor no peito. Há ainda casos assintomáticos.
Segundo Nechar, a morte súbita envolvendo arritmia cardíaca é mais comum do que se imagina. Dados da Sobrac apontam que cerca de 400 mil pessoas morrem por ano no País em decorrência de morte súbita cardíaca. Este número representa o óbito de um brasileiro a cada dois minutos em locais como o transporte público e a própria casa da vítima. A maior prevalência é na faixa entre 45 e 75 anos de idade, embora pessoas mais jovens também possam apresentar anormalidades nas batidas do coração. "O coração é o único órgão com o qual conseguimos falar todos os dias. Já que temos essa possibilidade, vamos usá-la ao nosso favor", completa o médico.
A dona de casa Maria Aparecida Gonçalves da Silva, de 73 anos, foi até o Calçadão especialmente para passar pela equipe do Hospital do Coração. O propósito de aprender o autoexame foi alcançado. Ela ainda aproveitou para aferir a pressão arterial. "Nunca tive problema cardíaco, mas me preocupo bastante com a saúde. Faço exames todos os anos", diz. O aposentado Arlindo da Silva, de 73, aprovou o serviço à comunidade. Ele já passou por uma cirurgia no coração e se interessa pelo assunto. "Tudo o que pudermos aprender para prevenir é bom. Vou ensinar lá em casa o autoexame também", comentou.

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