Sem um local para destinar cerca de mil pneus utilizados na barreira de proteção da pista de corrida, o Autódromo Ayrton Senna, em Londrina, criou uma espécie de depósito próprio. Segundo a administradora do autódromo, Miriam Contato, até que se consiga dar uma destinação para os pneus eles devem permanecer onde estão.
‘‘O certo seria Londrina ter uma forma de incinerar os pneus, mas como não tem, aqui pelo menos sabemos que está sendo tratado. Se jogarmos em qualquer outro lugar, daí sim irá oferecer risco de proliferação de mosquito da dengue’’, afirmou.
Miriam Contato explicou que uma vez por mês o setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde vai ao autódromo fazer a borrifação de veneno em todos os pneus; tanto nos 50 mil utilizados em barreiras de proteção quanto nos pneus que não são mais úteis. Ela explica que o material que está amontoado em valetas foi inutilizado pela antiga administração do autódromo que tinha um outro sistema de barreiras, usando tiras de pneus.
‘‘Hoje nós não trocamos mais os pneus, apenas reforçamos as barreiras quando necessário’’, explicou. ‘‘Agora mesmo pedimos mais 600 pneus para reforçar a barreira de uma das curvas, porque vai haver uma corrida de caminhões’’, complementou. Segundo Miriam Contato, os pneus são conseguidos nas borracharias da cidade.
O presidente da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, afirmou que Londrina realmente não tem um local para esse tipo de lixo e que isso é responsabilidade das fontes geradoras. Pneus velhos são classificados como lixo industrial, de acordo com Sella, e segundo lei estadual de 1998, o tratamento e destinação final deste tipo de material é de quem o produz.
‘‘Em Londrina, falta consciência de empresas e indústrias para esta prática’’, disse. A responsabilidade por fiscalizar o cumprimento da lei, segundo Sella, é tanto do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) quanto da CMTU. Para criar a cultura de tratamento e destinação do lixo industrial pelas próprias fontes geradoras, Sella afirmou que o município junto com os órgãos ambientais estará realizando um seminário em julho sobre o assunto.
Com o evento a CMTU pretende dar o primeiro passo na fiscalização da lei, que será a conscientização de indústrias, empresas, comércio e comunidade sobre o assunto. No caso específico dos pneus, Sella afirmou que a CMTU está reaproveitando parte deste lixo nas galerias do aterro sanitário de Londrina.

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