Autodidata aponta erro em concurso para professores
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Áureo Nogueira 
Uma questão do concurso realizado pela Prefeitura de Londrina para professores da rede municipal está sendo contestada pelo filho de pioneiros e autodidata em história de Londrina e Norte do Paraná, Valter Durães. Segundo ele, a questão número 34 da prova, que pede a anotação da alternativa errada, apresenta erros em todas elas.
A alternativa A afirma: A Companhia de Terras Norte do Paraná adquiriu, em 1929, o controle acionário da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, cujos trilhos chegaram a Londrina em 1935. De acordo com o autodidata, a empresa chamava-se Companhia Ferroviária Noroeste do Paraná, passando para Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná exatamente após a aquisição pela Companhia de Terras.
Durães aponta pequena incorreção na alternativa B. O texto fala do início da ocupação do Norte do Paraná e a origem dos primeiros núcleos de povoamento da região, em 1860: Colônia Mineira, Tomasina, Santo Antônio da Platina, Wenceslau Brás e São José da Boa Vista. Confundiram as coisas, porque Colônia Mineira é o primeiro nome de Tomasina. Portanto, trata-se do mesmo lugar.
Ainda de acordo com o autodidata, a alternativa C também apresenta incorreções. A questão afirma que a ocupação do Norte Novo do Paraná foi dirigida pela iniciativa privada - Companhia de Terras Norte do Paraná -, resultante da associação de capital inglês com o capital paulista e contou com o apoio do Governo do Paraná, que lhes vendeu, entre 1925/27, uma área de 515.000 alqueires de terras devolutas, o que corresponde a 12.463 quilômetros quadrados.
O erro está na afirmação de que o Governo do Paraná lhes vendeu terras devolutas. Na verdade, a área foi comprada da Companhia Marcondes - Indústria, Comércio e Colonização, cuja sede localizava-se em Presidente Prudente (SP) e detinha títulos de posse da terra. O governo estadual apenas intermediou a negociação, aponta Durães, acrescentando que em muitos aspectos os ingleses influenciaram a manipulação da história da colonização do Norte do Paraná.
Como exemplo de manipulação, Durães aponta o esquecimento do que aconteceu em Londrina antes de 1929 (quando chegou à cidade a primeira expedição da Companhia de Terras Norte do Paraná, subsidiária da inglesa Paraná Plantations).
Desde 1924, havia gente vivendo em Londrina, afirma o autodidata, revelando que seu avô, Bertoldo Durães, chegou à cidade em 27, para trabalhar na Fazenda Afonso Alves de Camargo, que levava o nome do proprietário e contava com mais de 30 mil pés de café. A fazenda de Afonso Camargo, que ia do começo do Jardim Shangri-lá até Cambé, foi a primeira área com plantio de café em Londrina. Mas a história esquece disso por conta do interesse dos ingleses, de serem os primeiros a colonizar a cidade e a região, enfatiza.
Durães destaca que se a história fosse contada como realmente aconteceu, provavelmente não haveria rivalidade entre o Norte e o Sul, Londrina e Curitiba. A colonização de Londrina começou por iniciativa de Afonso Camargo, sulista de Guarapuava e que havia sido governador do Estado. O reconhecimento de fatos como este pode contribuir até para a integração do Paraná.


