Auto-serviço em postos gera polêmica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de maio de 1999
Osmani Costa 
O posto de combustíveis inaugurado pelo Carrefour há um mês, dentro do sistema de auto-atendimento, está gerando polêmica e divisão entre os revendedores dos produtos em Londrina. O posto da rede francesa de supermercados - o terceiro da cidade com sistema self-service - está sendo acusado de concorrência desleal pelo diretor-regional do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná, Valter Sasso.
O posto do Carrefour, que vende combustíveis da marca Ipiranga, está cobrando R$ 0,85 pelo litro de gasolina comum, R$ 0,89 pela aditivada, e R$ 0,53 pelo litro de álcool. Estes preços são os mais baixos entre os 84 postos de combustíveis da cidade, que empregam cerca de mil pessoas. Nos outros postos a Ipiranga cobra R$ 0,92 por litro de gasolina entregue. Ou a marca esta beneficiando o Carrefour ou este novo posto está abusando do poder econômico que tem para fazer concorrência desleal, afirmou Sasso.
Valter Sasso afirma que o novo posto está conseguindo atrair cerca de 15% a 20% dos consumidores da cidade e, em breve, vai provocar a quebra econômica de vários postos menores e a demissão de dezenas de frentistas. Não é questão de ser contra ou a favor do auto-abastecimento, mas, nesta época de crise social, os empresários devem gerar novos empregos e não pensar em economizar com a mão-de-obra, comentou o diretor do sindicato.
Luiz Bolognesi, que é dono de um posto da rede Texaco, que funciona há vários anos em frente ao Carrefour, reagiu de forma surpreendente à chegada do concorrente. Ele colocou em frente ao seu posto uma enorme faixa em que diz: Aqui, damos atendimento e emprego; aqui, o combustível é puro; o dinheiro que você paga aqui pelo combustível fica em Londrina, porque pagamos impostos. Neste posto, os preços por litro são R$ 0,89 (gasolina comum), R$ 1,15 (gasolina aditivada), e R$ 0,55 (álcool).
Socialmente, o preço de não empregar frentista é muito alto para todo o País. Não vale a pena diminuir um pouco os preços dos produtos se para isto temos que demitir ou não contratar mão-de-obra. Para o consumidor, os preços parecem atraentes e podem gerar uma vantagem imediata. Mas a longo prazo, isto é ruim porque gera desemprego e mais problemas sociais, ressaltou Bolognesi, que emprega em média 12 frentistas em cada um de seus cinco postos, pagando salários mensais em torno de R$ 450,00.
Valter Sasso acusa ainda os três postos que funcionam no sistema de auto-atendimento de estarem infringindo uma lei municipal, que obriga os estabelecimentos do setor a manter pelo menos dois terços de suas bombas de combustíveis operadas por frentistas. As autoridades municipais deveriam fiscalizar e ser rigorosos no cumprimento das leis que aprovam, disse Bolognesi. A lei a que se refere, de autoria do vereador Sidney de Souza (PST), prevê multas de até R$ 2 mil e também o lacramento do posto infrator.


