O coordenador de auditoria do Detran, Saulo Miranda, disse ontem que as investigações que estão sendo feitas na 8ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Campo Mourão já confirmaram a participação de funcionários de auto-escolas no esquema de venda de carteira nacional de habilitação (CNH), a motoristas que não faziam ou não passavam nas provas práticas e de legislação de trânsito. O esquema foi descoberto por uma auditoria no mês passado.
‘‘Vamos conferir agora se não existe também o envolvimento da direção dessas auto-escolas’’, explicou Miranda. Por enquanto, ele confirmou apenas que os funcionários envolvidos são de mais de uma auto-escola. A auditoria também apurou o envolvimento de três funcionários da Ciretran, que já foram demitidos.
Um quarto funcionário de carreira é suspeito. Segundo Miranda, eles cobravam de R$ 200,00 a R$ 500,00 por carteira. Foram vendidas cerca de 300 CNHs entre junho do ano passado e o início deste ano.
Caso seja constatada a participação da direção das auto-escolas, elas terão suas licenças cassadas pelo Detran, além de responderam processo criminal na Justiça.
Se o envolvimento for apenas dos funcionários, eles não poderão trabalhar mais no setor e também terão que responder inquérito policial.
A auditoria na Ciretran de Campo Mourão deveria ter sido concluída na semana passada, mas atrasou porque surgiram novas denúncias.
‘‘Tivemos que investigar conexões com municípios vizinhos’’, disse Miranda. Segundo ele, os trabalhos deveriam ser concluídos ainda ontem.
‘‘Vamos fazer uma avaliação na segunda-feira para ver se serão necessárias mais investigações’’. Se isso não for preciso, o resultado da auditoria deverá ser entregue terça ou quarta-feira para o delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial Roberval Butaccini, e também para o Ministério Público.
O Detran também vai abrir uma sindicância com o objetivo de apurar o envolvimento de outros funcionários e estipular as eventuais punições administrativas.
A sindicância vai apurar o possível envolvimento de auto-escolas e dar direito de defesa a elas. Até ontem, não havia indícios da participação no esquema do ex-chefe da Ciretran, Gentil de Lima Costa, o que também poderá ser melhor apurado pela polícia e pela sindicância.
Uma das funcionárias afastadas da Ciretran, que não quer ser identificada até a conclusão da auditoria, disse em entrevista à Rádio Colméia, de Campo Mourão, que o esquema tinha a participação da chefia do órgão e até de um deputado estadual.
Se dizendo inocente, ela afirmou que vai contar toda sua versão quando for chamada para depor na polícia. O auditor do Detran, no entanto, diz que isso não foi citado nos depoimentos colhidos pela auditoria.

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