Auto-escolas preparam mal os motoristas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 1997
de Curitiba 
O psiquiatra Laércio Lopes de Araújo defende mudanças no conteúdo das auto-escolas como uma das maneiras de evitar problemas nos trânsitos. Ele acredita que muitos motoristas acabam provocando acidentes por estarem mal preparados para os atuais desafios da ruas, que estão exigindo mais habilidade, segurança e paciência dos condutores.
Segundo o psiquiatra, os testes feitos pelos Detran para concessão da carteira de habilitação, não são rigorosos o suficiente a ponto de poder separar os bons dos maus motoristas. É preciso reformular o sistema, que tem responsabilidade direta na qualidade do trânsito, acredita.
O diretor de Operações do Detran, Eliseu João da Silva, admite a necessidade de mudança, mas prefere colocar a responsabilidade no Código Nacional de Trânsito e não nas auto-escolas. É necessária uma exigência maior por parte da lei, já que a maioria das escolas cumpre apenas o currículo mínimo exigido, afirma. Atualmente, o Código estabelece somente as disciplinas de Legislação e Sinalização, Mecânica Básica e as aulas práticas como pré-requisitos para conseguir uma carteira de habilitação para dirigir automóveis.
Auto-escolas - A presidente do Sindicato dos Instrutores e Profissionais das Auto-Escolas (Sinproauto), Eliana Bueno de Sá, diz que lembra a fama que os testes do Detran tinham há alguns anos. As provas eram extremamente difíceis, principalmente a avaliação prática, e eram raros os aprovados, comenta. Hoje, com a proliferação de auto-escolas no mercado, que usam o preço e não a qualidade dos serviços como atrativos para conseguir clientes, o conteúdo dos cursos piorou muito. Os cursos são massificantes e se preocupam em ensinar apenas o que está no livro para o aluno passar no exame, afirma. Segundo Eliana, até mesmo os instrutores, que por lei são obrigados a fazer cursos no Detran, nem sempre estão preparados para a função.
Auto-crítica - O diretor de Operações do Departamento concorda com a deficiência do sistema, mas diz que não existe como medir a qualidade das auto-escolas. O termômetro do Detran são os índices de reprovação, que atualmente estão mais baixos do que nos anos anteriores. A queda destes índices é duvidosa - pode indicar tanto a melhoria do conteúdo dos cursos quanto a facilidade de aprovação dos testes por pouca exigência do Detran.


