Autismo: familiares promovem dia de conscientização
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sábado, 30 de março de 2019
Erika Gonçalves - Grupo Folha 
Na fila de espera de um hospital, uma criança pequena chora e faz “birra”. Cansada da cena, uma pessoa se aproxima e pergunta aos pais se eles não dão educação para o filho. A situação, bastante constrangedora aconteceu com o coordenador de merchandising David Aparecido Lopes e a esposa Aline da Silva Lopes, ao levarem o filho Caio Nathan, 4, a uma emergência médica.
“Eu expliquei que ele tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e aí a pessoa saiu de perto. Infelizmente isso é comum, as pessoas não entendem que ele tem o tempo dele, que não sabe esperar. Agora nós temos a carteirinha que o identifica como autista e por isso podemos usar a fila preferencial no mercado, por exemplo. Mas muitas vezes estamos lá e ele começa a chorar, quer ir embora. Tudo tem que ser no tempo dele”, explica.

O autista pode se incomodar com lugares barulhentos e com muitos estímulos, o que desencadeia uma crise sensorial, em que eles podem chorar, gritar, se jogar no chão ou serem agressivos, por exemplo.
Lopes conta que o filho foi diagnosticado há pouco mais de um ano. O sinal de alerta foi a falta de interação com os coleguinhas na escola. O pai conta que o menino também se incomodava com barulhos altos e coisa simples, como um “Parabéns pra você”, o incomodam. “Nós chegamos a levá-lo ao médico achando que era algo relacionado ao ouvido”, conta ele. Hoje Caio frequenta uma escola regular por meio período e no contraturno frequenta uma escola especializada, o Centro Ocupacional de Londrina.
“Com o tratamento ele está bem melhor, já faz algumas coisas sozinho, como ir ao banheiro e abrir a geladeira para pegar água. Ele também está falando mais”, conta orgulhoso.
Conscientização
Para tentar conscientizar a sociedade sobre as necessidades dos autistas e também chamar a atenção do poder público, o Grupo Amigos dos Autistas se reuniu no Calçadão de Londrina neste sábado (30) para distribuir panfletos e conversar com as pessoas, em uma ação antecipada a 2 de abril, considerado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Luciene Mariano, mãe de Matheus, 11, explica que o grupo surgiu há cerca de dois anos, com oito mães e hoje já reúne cerca de 200 pessoas, de Londrina e região. No grupo os participantes podem trocar experiências, tirar dúvidas e dar depoimentos. Além dos encontros presenciais, que ocorrem em média uma vez por mês, também há um grupo de WhatsApp e uma página no Facebook.
“As mães ficam perdidas no início e esse diagnóstico pode ser feito mais cedo ou mais tarde, principalmente se a família tiver mais condições financeiras. Já existem leis que nos amparam, mas na prático ainda temos dificuldades, inclusive em órgãos que deveriam nos apoiar. Quando vamos solicitar alguns direitos, somos ignorados. Se formos fazer um exame laboratorial, por exemplo, o autista não entende que tem que ficar em jejum. Se vamos em uma emergência médica, ele não sabe dizer o nível de dor que sente, por isso precisaria ser atendido primeiro”, exemplifica.
Outra reivindicação é maior inclusão, não só na escola mas em outros espaços. “Se você liga em uma escola de natação e diz que seu filho é autista, eles dizem que não têm um professor para ele. Nas academias ao ar livre não há nada específico para os autistas. Nem mesmo os parques infantis têm brinquedos adaptados. A criança autista não sabe se segurar no balanço, por exemplo, então precisaria de uma cadeira com cinto de proteção e um espaço para um acompanhante”, destaca Mariano.
Primeiros Sinais
O TEA tem diferentes graus, por isso as crianças apresentam sintomas diferentes também. Segundo ela, um dos primeiros sinais que chamam a atenção é a falta de interação social e contato visual. “Mesmo um bebê pequeno, quando a mãe chama, ele procura de onde vem o som, ele acompanha um brinquedo com os olhos. O bebê autista não faz isso e muitas vezes a primeira ideia dos pais é de que a criança é surda, porque não interage. Entre os mitos está que eles não são afetivos e que não gostam das pessoas, mas eles apenas têm um jeito diferente, as pessoas precisam se aproximar de um outro jeito.”
Além da ação em Londrina, o Grupo irá se reunir no dia 2 de abril, terça-feira, no Calçadão de Cambé, a partir das 9 horas.
Serviço:
Contato com o Grupo na página do Facebook “Grupo Amigos dos Autistas” ou pelo telefone: (43) 99623-6799.


