Autarquia fecha cerco a animais soltos
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sábado, 14 de março de 1998
Osmani Costa 
Paulo WolfgangQue folga!Cavalo passeia por rua na zona norte: reclamações de moradores motiva AMA a agir contra animais soltosA comodidade de alguns proprietários de grandes animais está com os dias contados em Londrina. Cavalos, burros, bois e vacas soltos nas ruas - que atrapalham o trânsito e a vida de motoristas e pedestres - vão gerar multas para seus donos. A Autarquia do Meio Ambiente (AMA) reativou, na semana passada, a operação especial que recolhe os animais e multa os responsáveis pela infração.
Nos dois primeiros dias da retomada da operação - suspensa no final de 97 por problemas técnicos -, dez proprietários foram multados em diferentes regiões da Cidade. O valor da multa varia do preço do animal - que é avaliado por técnico da AMA no momento do recolhimento - até R$ 1.200,00, dependendo da reincidência. Segundo o diretor de Serviços Públicos da AMA, Júlio Bittencourt, o preço médio de um cavalo, por exemplo, está em torno de R$ 200,00.
Os animais estão sendo apreendidos pela equipe da AMA e recolhidos às instalações da fazenda Refúgio, propriedade da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), na zona sul da Cidade. Para recuperar o animal, o dono terá que pagar a multa e mais uma taxa diária de R$ 6,00 pelo tempo de permanência na fazenda.
A multa, amaparada em lei municipal, porém, faz parte de uma segunda etapa da operação de combate à permanência de animais nos fundos de vales, praças e ruas. Assim que a AMA recebe a reclamação - através do telefone 156, que atende também nos finais de semana -, os técnicos procuram o dono do animal e o orientam a regularizar a situação em sete dias. Passado esse prazo, o animal que continuar nos locais públicos será apreendido e o proprietário, multado.
Quando os técnicos não localizam o proprietário do animal, este é recolhido imediatamente à fazenda Refúgio. Caso o dono não resgate o animal em uma semana - com o pagamento da multa e da taxa de permanência -, ele é automaticamente incorporado ao patrimônio do Município.
De acordo com Bittencourt, os casos mais comuns são de cavalos que pastam em lugares públicos porque seus donos residem em casas com quintais pequenos, sem condições de manter pastagem. Na maioria, nem são chacareiros. São pessoas que têm os animais para ser usados em charretes na prestação de serviços, como aluguel para mudanças. Como o espaço nos quintais é insuficiente, acabam levando os cavalos para se alimentar nos terrenos baldios e públicos, o que é proibido e muito perigoso, porque pode causar acidentes de trânsito, comenta o diretor da AMA.
O comerciante Osmário dos Santos Silva várias vezes já telefonou para a AMA reclamando da presença de animais soltos nas ruas da zona norte. Aqui, é comum encontrarmos cavalos atrapalhando o trânsito e colocando em risco a vida das pessoas, principalmente à noite. Eu mesmo quase fui vítima de um acidente recentemente. Só não bati em um cavalo porque consegui frear meu carro a tempo.
A telefonista desempregada Maria Odete Ramos usou o telefone 156 para reclamar de animais em vias públicas nos últimos dias. Os animais destroem as árvores pequenas e a vegetação rasteira das ruas daqui do bairro, além de colocar em risco as crianças que saem da escola e têm que desviar dos cavalos, conta ela, que mora no parque Bom Retiro (área central).


