O exame de ressonância magnética não foi liberado para a paciente Izabel Cristina Soares Lopes porque a Autarquia Municipal de Saúde avaliou que o procedimento não era importante para o caso da portadora de deficiência física. O exame foi solicitado pela neurologista Mônica Marcos de Souza, do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que atende Izabel. Rosângela Aurélia Libanori, responsável pela Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação (Daca) da Autarquia, explica que a recusa, para o pedido de Izabel, foi porque o exame teria apenas um caráter de estudos. ‘‘Ela já tinha feito todos os exames possíveis e a médica, ligada à UEL, só solicitou este a nível de estudos. Infelizmente, temos que ter critérios muito rigorosos de seleção porque trabalhamos com uma verba limitada’’, justificou.
Izabel Soares Lopes acreditava que a razão para a demora na liberação do exame era a grande lista de espera pelo procedimento através da prefeitura. ‘‘Na verdade, não há e nem nunca houve lista de espera para este tipo de exame. Nós podemos liberar até 20 exames deste por mês mas não há metade da procura. A fila de espera que está completa até o fim do ano é a de litotripcia, aquele de quebrar pedras no rim’’, explicou Rosângela.
Segundo Rosângela Libanori, na época que Izabel solicitou o exame, o serviço não era credenciado pelo Sistema Único de Saúde, e sim pago pela prefeitura através do Fundo Municipal de Saúde. ‘‘O serviço só foi credenciado em janeiro’’, explicou.
Na opinião da diretora, no caso de Izabel, era possível serem feitos outros exames neurológicos como o arteriografia, mielografia e tomografia - além da própria ultra-sonografia - com resultados semelhantes. ‘‘Estes exames podem ter diagnósticos extremamente precisos e são muito mais baratos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em alguns casos, por exemplo, em que é usada a ressonância, o resultado não é tão bom quanto a mielografia’’, comentou.
Para a irmã Rosa Maria Ruthes, diretora-geral da Irmandade da Santa Casa de Londrina, causou surpresa ler, na Folha, que Izabel não tinha conseguido o exame por ter fila de espera. Segundo ela, a procura por este exame sempre foi aquém do esperado. ‘‘Temos capacidade de atender 125 pacientes do SUS por mês, mas só temos autorização para atender 20 pacientes do município. E mesmo assim, nos últimos três meses, só atendemos uma média de 11 pacientes do SUS por mês’’, disse.
Segundo ela, o hospital começou oferecer o serviço de ressonância magnética em agosto de 1995 e foi firmado o convênio com a Prefeitura Municipal de Londrina em outubro de 96. Segundo a diretora, é interessante que as prefeituras da região firmassem convênios semelhantes com a Santa Casa, para ocupar esta disponibilidade de vagas. ‘‘O aparelho está praticamente ocioso’’, explicou.
Irmã Rosa Maria recorda que a paciente Isabel Cristina Soares Lopes já passou por este exame na Santa Casa, em maio de 98. (T.E.)

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