Um programa financiado pela Comunidade Européia vai mapear as áreas de risco dentro do projeto Karst na Região Metropolitana de Curitiba. A proposta é conhecer a possibilidade de contaminação e definir uma política de proteção para os aquíferos. O projeto, elaborado pelo instituto austríaco Joanneum Research, começa em 1999. O anúncio foi feito ontem na abertura do II Workshop Projeto Karst, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). O evento, que discute os dois primeiros anos de estudos do projeto, vai até amanhã.
O geólogo do instituto, Hans Zojer, que participa dos estudos do projeto Karst, diz que os resultados da pesquisa serão aplicados nos países emergentes. ‘‘Uma das regiões propostas é a de Curitiba.’’
O uso e a ocupação do solo devem ser revistos nas áreas do Karst. ‘‘A ocupação deve existir sempre, mas a população precisa ter atividades compatíveis com a região para não interferir no Karst’’, diz o gerente de hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas. ‘‘Não se deve pensar em ocupação urbana. A urbanização tem que ser dirigida para áreas que não comprometam o aquífero.’’ A Sanepar diz que a região deve ser protegida pela Lei dos Mananciais, que determina o uso e a ocupação do solo.
As populações devem manter as características do manancial. A Sanepar planeja trabalhar junto com os municípios para preservar o aquífero. Zojer diz que, em Viena (Áustria), há monitoramento da qualidade da água nas áreas de ocupação. ‘‘Quando há alguma alteração, temos condições de fazer correções.’’ Em Viena, a ocupação não é como na região de Curitiba. A cidade comprou a área de fontes e a qualificou como local de proteção permanente. ‘‘Foi há 100 anos. Hoje, isso seria impossível.’’
O geólogo da Universidade Federal do Paraná Ernani Rosa Filho acha que a exploração do Karst não deveria ter começado perto de áreas ocupadas. O coordenador geral do Projeto Karst, Alvaro Amoretti Lisboa, diz que um dos fatores determinantes para a abertura de poços perto das populações foi o custo. ‘‘Se afastássemos a captação dos centros de consumo, gastaríamos muito. As adutoras (canos) são caras’’, afirma.
Esta é uma das brigas, por exemplo, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. O planejamento urbano do município está entrando em choque com interesses da Sanepar, que pretende começar a abrir poços em áreas onde a prefeitura pretende implantar loteamentos.
Hoje, a Sanepar tem cerca de 60 poços. A área do aquífero é de 2.800 quilômetros quadrados e engloba 14 municípios. Oito municípios - 300 mil pessoas - são abastecidos pela água do Karst. São 450 litros por segundo. A capacidade total, segundo Lisboa, é de 7 mil litros por segundo. ‘‘É apenas uma estimativa. Tudo vai depender da demanda e do potencial.’’ Na região de Colombo, a Sanepar esperava retirar 600 litros por segundo. Para não causar danos ao meio ambiente, teve que baixar a captação para 200 litros por segundo.
O projeto Karst deve ser mantido e incrementado para garantir o abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba. Segundo Rosa Filho, os rios estão mortos e vai ser cada vez mais difícil tratar a água e abastecer a população. ‘‘Se não preservarmos os aquíferos, não vamos ter água daqui a 50 anos’’, diz. ‘‘São Paulo já está com um projeto para buscar água a mais de 100 quilômetros da cidade.’’

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