Hospitais privados e clínicas particulares conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) podem repassar aumentos para os pacientes. Isso pode acontecer se o governo não ampliar a relação de 90 produtos que terão as alíquotas de importação reduzidas na semana que vem. O alerta é do presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Antônio Celso Nunes Nassif.
‘‘O governo está se preocupando apenas com os hospitais públicos. Tem que ver o lado das clínicas e dos hospitais particulares que também atendem pelo SUS’’, pede Nassif. O presidente da AMB defende que é obrigação do governo amparar o segmento da rede particular de saúde, muito requisitada pela população.
O principal argumento de Nassif é o aumento do dólar, moeda corrente para compra no exterior de materiais para laboratórios e equipamentos médicos. Se o governo não aceitar as alegações da AMB, Nassif acredita que os serviços prestados pelo SUS podem até mesmo ser cancelados. ‘‘O segmento ainda está gastando as gorduras que têm, mas elas estão se acabando’’, avisa.
Na tentativa de manter os atuais preços, a AMB enviou duas propostas ao governo federal. A primeira pede ‘‘estudos de viabilização, através de Medida Provisória, isentando do ICMS, IPI e Imposto de Importação, os insumos e materias médicos-hospitalares específicos para o atendimento de procedimentos em setores essenciais à saúde da população’’.
A outra proposta propõe ‘‘que a remuneração dos serviços prestados para os planos e seguros de saúde seja feita pelos valores referenciados na Lista de Procedimentos Médicos da AMB 1999, inalterados desde 1995, porém, até hoje, não praticados pelas operadoras’’. Nassif diz que muitos setores, como o de diálise, por exemplo, que atende grande parcela da população brasileira de baixa renda, ‘‘está no limite’’.
Em nota enviada a imprensa, a AMB acredita que as duas propostas apresentadas ao governo podem manter os mesmos valores dos serviços prestados em todos os níveis. O comunicado finaliza sugerindo uma elevação de preços dos serviços, caso o governo não se manifeste. ‘‘Caso contrário, será muito difícil evitar reajustes legítimos e justificáveis’’.

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