O impacto do pagamento do pedágio no transporte das safras é expressivo e já preocupa as cooperativas. O técnico Flávio Turra, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), calcula que no trecho entre Cascavel e Porto de Paranaguá o custo do frete de um caminhão com capacidade para 25 toneladas será elevado em R$ 4,22 por tonelada. O caminhão com capacidade para 30 toneladas terá o custo do frete elevado em R$ 3,52 por tonelada.
Entre Maringá e Paranaguá, o caminhão terá que pagar pedágios de R$ 96,50 só na ida, o que vai representar mais R$ 3,86 por tonelada para um caminhão com capacidade para 25 toneladas, e R$ 3,22 para o caminhão com capacidade para 30 toneladas. Neste trecho, o custo de produto por saca será elevado entre R$ 0,19 e R$ 0,23. No caso do milho, o valor do pedágio nesse trecho vai representar entre 2,88% e 2,38% conforme a capacidade do caminhão, no preço do grão. Já no transporte de soja, o valor do pedágio representa entre 1,48% e 1,23% no preço do produto.
Trata-se de mais um custo que vai onerar a produção, afirmou Turra. Segundo ele, o impacto sobre o transporte de milho será de 3% sobre o valor da saca, calculada em R$ 8,00. Considerando o preço da soja em R$ 15,00 a saca, a cobrança do pedágio vai corresponder entre 1,4% e 1,6% do valor do produto. Como o pedágio vai ser pago na ida e na volta do caminhão, a situação vai se agravar, acredita.
Apesar dos valores serem considerados significativos, Turra afirmou que a expectativa é que as transportadoras repassem os eventuais benefícios decorrentes da redução dos custos de manutenção da frota para os usuários. Se não houver esse repasse, a alternativa será o transporte de grãos via ferrovia. Mas, segundo a Ocepar, tudo vai depender do mercado e há uma certa paridade entre o frete rodoviário e ferroviário, afirmou Turra. O problema da ferrovia no Paraná, disse o técnico, é que existe um afunilamento em Curitiba em direção ao Litoral dos ramais oriundos do Oeste e Norte do Estado, o que prejudica o transporte. Além disso, a ferrovia foi recém-privatizada e ainda não há vagões disponíveis para a necessidade de transporte, completou. (V.C.)

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