O constante aumento no consumo de energia em Londrina e região, nos últimos anos, aliado à vontade política dos governos estadual e municipais para uma futura industrialização - o que significa maiores cuidados com possíveis blecautes - levaram a Copel a planejar a construção de novas usinas hidrelétricas.
Atualmente, a Copel não conta com nenhuma usina em operação nesta região. Toda energia consumida vem da rede interligada sob coordenação da Eletrobrás, empresa do governo federal. Parte significativa da energia oferecida pela companhia em Londrina e região é comprada da Eletrosul - também pertencente ao governo federal -, que possui usinas no rio Iguaçu, no sul-sudoeste do Paraná.
Com projetos em fase final, em breve serão abertas as licitações para a construção e operação de duas usinas próximas a Londrina. Elas usarão as águas do rio Tibagi e ficarão em Jataizinho - 5 quilômetros abaixo da ponte da BR-369 - e no município de São Jerônimo da Serra, 35 quilômetros abaixo da mesma ponte. Juntas, as duas custarão cerca de R$ 400 milhões e gerarão uma carga em torno de 320 mil quilowatts (kw). A carga instalada para Londrina, hoje, é de 150 mil kw. A previsão é de que as duas possam estar operando em 2001.
‘‘Estas duas novas usinas são da maior importância não só para Londrina e região mas para todo o Estado e mesmo para o País inteiro, que com um sistema de produção e distribuição integrado necessita produzir mais energia elétrica’’, comenta o superintendente da Copel, Elmar Lopes.
Segundo ele, com a capacidade de exploração do Iguaçu praticamente esgotada, o rio Tibagi passa a ser a grande possibilidade de instalação de novas hidrelétricas. O problema é que as águas do Tibagi são usadas como a principal fonte para o abastecimento da população de Londrina e Cambé. ‘‘O represamento do rio, para a construção das usinas, vai prejudicar e mudar a captação de águas do Tibagi para consumo. As atuais instalações serão encobertas, muita coisa se perderá, apesar de se poder reaproveitar parte dos equipamentos’’, explica o engenheiro da Sanepar, Luiz Alberto Niero.
‘‘Além de termos que instalar um novo sistema de captação, a grande mudança é que a água passará a vir de uma represa, e não mais de um rio. Do ponto de vista bioquímico, a água corrente de um rio é bastante diferente - e melhor para o consumo - do que a água de um lago, uma represa’’, afirma Niero. De acordo com ele, o sistema de tratamento de água para o abastecimento de Londrina e Cambé terá que ser adaptado a esta nova realidade nos próximos anos. ‘‘Mas não há porque se preocupar, tudo isto já está previsto e sendo negociado entre a Sanepar, a Copel e outras empresas do governo do Paraná. Os custos da nova captação estão previstos nos orçamentos das usinas, e a Sanepar vai garantir para a população uma água com a mesma boa qualidade de hoje.’’
(Osmani Costa)

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