Aumento não deverá
sair antes de 60 dias
Mesmo que os recursos do governo do Estado não sejam acatados pela Justiça Federal, os reajustes nos 2.035 quilômetros do Anel de Integração não serão imediatos. O juiz Zuudi Sakakihara determinou que antes dos aumentos haja um período de pelo menos 30 dias de campanha de esclarecimento da população sobre os novos valores. Técnicos do governo acreditam que na pior das hipóteses, a decisão judicial não terá condições de ser cumprida nos próximos 60 dias.
Representantes dos caminhoneiros estão insatisfeitos com a possibilidade de reajuste das tarifas nos próximos meses. Presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos do Paraná (Sindicam), Diumar Cunha Bueno, espera que o governo aproveite a oportunidade para convidar usuários e concessionárias a uma negociação ampla sobre tarifas e cronograma de obras. ‘‘Queremos cobrar a realização das melhorias, pois repassamos o pedágio ao valor do frete; quem tem que cobrar a redução dos preços é a sociedade em geral.’’
Para Bueno, o principal erro do processo de privatização começou com a assinatura dos contratos e não na redução das tarifas. ‘‘Se o governo tivesse consultado os usuários sobre as obras necessárias, com certeza haveria menos reclamações sobre valores de tarifas.’’ Segundo ele, os transportadores sabem quais os pontos mais críticos das rodovias. ‘‘Precisamos de uma recuperação de toda a malha e da sinalização horizontal, construção de terceiras faixas e só depois é que o governo deve pensar em duplicações.’’
O presidente no Paraná do Movimento União Brasil Caminhoneiros, André Felisberto, é mais radical. A direção desta entidade que também representa os transportadores ameaça fazer uma paralisação geral das rodovias se houver reajuste. ‘‘O governador tem que se pronunciar a respeito desse aumento, não pode se esconder diante de um absurdo como esse’’, disse. (EC)