Aumento do ônibus pega curitibanos de surpresa
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Ontem, primeiro dia de vigência da nova tarifa para o transporte coletivo de Curitiba, muitos usuários foram surpreendidos. Enquanto alguns descobriram que a tarifa passou de R$ 1,90 para R$ 2,20 no momento do embarque, aqueles que já sabiam do aumento reclamaram que o reajuste foi abusivo.
A comerciante Lurdes Fernandes não utiliza com frequência o transporte coletivo da Capital, mas acredita que o aumento de 30 centavos vai fazer diferença "para quem trabalha".
O aposentado Benedito Francisco possui o cartão de isenção da tarifa disponibilizado aos idosos, mas se preocupa com os usuários que pagam a passagem do próprio bolso. "Acho que foi muito. Dez centavos eu concordo, mas 30? E aqueles que pegam três, quatro ônibus por dia? Come todo o salário", critica.
A estudante Mayara Wladyska, que paga duas passagens por dia quando está no período de aulas, concorda que o reajuste de dez centavos seria suficiente. "Foi horrível, dez centavos estava bom", afirma.
Os usuários também reclamam da divulgação da nova tarifa, realizada no final da tarde da última sexta-feira para evitar que os passageiros carregassem os cartões transporte com o antigo valor. "Ficou muito tempo sem aumentar e agora querem aumentar tudo de uma vez", reclama a auxiliar de cobrança Andréia Josiane de Melo. O motorista e cobrador Dirceu da Silva Ferreira conta que 90% dos passageiros que embarcaram no ônibus não sabiam do aumento. "Eles disseram que foi muito pouco diviulgado".
Domingueira
A funcionária de telemarketing Thais dos Passos acredita que apenas a retomada da cobrança de R$ 1,90 aos domingos resolveria o problema. "A maioria (dos usuários) não trabalha, não vai para a escola no domingo. Ao invés do aumento, compensava voltar a R$ 1,90 aos domingos", sugere.
Além das reclamações dos passageiros, os cobradores também precisam se adaptar aos novos valores. Alguns dizem que a tarifa dificultou a entrega do troco. "Antes a gente precisava só de moedas de cinco e dez centavos. Agora precisamos de moedas e 50, 25 e 5 (centavos)", afirma Silva. "Não facilita. Se antes, só com moedas de R$ 0,10, já era difícil, agora está pior", diz Adriano de Oliveira. Outros cobradores acham que para os passageiros é mais fácil entregar R$ 0,20. "Vinte centavos todo mundo tem. Fica mais trocado, quando era R$ 1,90 a gente usava mais moedas", afirmam os cobradores Rogers Camargo e Valdinei Gregório.


