Nos últimos dias, a população está sendo bombardeada por uma série de aumentos. De produtos que integram a cesta básica, como arroz e açúcar, até combustíveis e mensalidades escolares, tudo foi reajustado. O pedido feito pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal (Metrolon) junto à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para aumentar também a tarifa dos ônibus caiu como uma bomba entre os londrinenses.
Joselina Pereira de Matos foi enfática: ''É um absurdo''. Ela disse que só utiliza o ônibus porque não tem outra opção. ''Já imaginou como vai ficar para uma família em que três pessoas pegam ônibus?'', contabilizou. Alissa Andrean constatou que esse aumento vai pesar também para as empresas, ''onde trabalho a empresa tem 32 funcionários para dar o passe''. Segundo ela, é preciso ''pensar e ver se os aumentos não são abusivos para não prejudicar ninguém''.
Elisabete Moraes lembrou uma dura realidade brasileira. ''As pessoas acabam se adaptando e abrindo mão de outras coisas. Diminui o docinho, o cineminha para compensar'', disse. O mesmo pensamento é compartilhado por Marcos Antônio, que usa oito passes por dia: ''A gente tem que se adaptar''. Mas segundo ele, o aumento prejudica bastante principalmente pelo baixo valor dos salários das pessoas que dependem dos ônibus.
Leonice Aparecida Carvalho atentou para o fato de que muitas diaristas podem até ficar sem emprego, porque as patroas pagam a diária mais o dinheiro da passagem. Ela ainda questionou: ''Tudo subiu, e o salário, vai para quanto?''
O prefeito da cidade Nedson Micheleti (PT), que estava ontem em Brasília, ainda não sabia do pedido de aumento. Mas ponderou em entrevista por telefone: ''É normal as empresas fazerem este pedido. Quando eu chegar em Londrina, vou analisar o ofício e tomar uma posição''.
A primeira reação do presidente da CMTU, Wilson Sella, quando questionado sobre o aumento foi: ''É um absurdo''. Depois, ele complementou dizendo que não poderia ''orientar o prefeito sem antes ter conhecimento da planilha''. Segundo Sella, técnicos da CMTU estão atualizando os dados da planilha em cima da alta do óleo diesel e dos salários e só após isso é que terá uma posição sobre o pedido de aumento da tarifa.
Ontem, Sella estava em São Paulo participando de um congresso e só retorna amanhã a Londrina. Em abril deste ano, houve rumores de que a tarifa dos ônibus seria aumentada. O município então reduziu a taxa administrativa do sistema de 6% para 4% e também do Imposto Sobre Serviço (ISS) de 5% para 1%. Após esse acordo, as empresas recuaram no pedido de reajuste.
A justificativa das empresas para o pedido de aumento atual é que as altas no óleo diesel, nas peças automotivas, pneus e salários deixaram defasada a tarifa atual de R$ 1,15. O gerente da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildamo Mendonça, destacou que só os aumentos no diesel e no salário dos funcionários reajustado em 7% em junho deste ano somaram uma perda de R$ 3,5 milhões para a empresa nos últimos 16 meses.
''A tarifa precisa aumentar para reestabelecer o equilíbrio econômico da empresa'', justificou Mendonça. Uma simulação feita pelo gerente aponta que o valor da tarifa deveria subir para R$ 1,45. ''Estamos sem capacidade de investimento. Para o próximo ano, preciso trocar 70 ônibus e estou sem condições'', comentou. A frota atual da TCGL é de 263 ônibus e, segundo Mendonça, a idade média dos ônibus é de seis anos. A Folha não conseguiu falar com a empresa Francovig porque o diretor, Francisco Francovig, estava viajando.

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