O perfil do viciado em drogas na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) está se modificando, com a Delegacia Anti-tóxicos registrando um crescimento de 177,5% do uso de substâncias tóxicas entre os adolescentes de dez a 15 anos, durante o ano de 1997. Nesse período essa unidade policial apontou ainda que o número de usuários de crack (droga derivada da cocaína) atendidos pelo Centro Anti-tóxico de Prevenção e Educação (Cape) cresceu 65%, o que mostra uma nova tendência no consumo de drogas na capital.
A chegada do crack preocupa as autoridades pelo seu grande poder de viciar, e o crescimento do uso da droga na RMC vem sendo reforçada pelas prisões cada vez mais frequentes de traficantes desse produto, que em algumas áreas já respondem por 80% do total de drogas apreendido pela polícia. Outro ponto de preocupação com o uso do crack é a violência trazida pela droga como ‘efeito colateral’. No Bairro do Umbará, a Polícia Civil relaciona que 70% dos homicídios estão relacionados ao uso dessa droga e a brigas de traficantes por pontos de venda.
Apesar de todos esses indicadores, o delegado interventor da Delegacia Anti-tóxicos, Adauto Abreu de Oliveira, acredita que o crack não merece ‘‘um tratamento diferenciado por parte das investigações policiais’’. Por outro lado o CAP, que funciona na Delegacia Anti-tóxicos, trata os viciados de maneira diferente. Segundo a coordenadora Marli Duleba, é realizada uma triagem: usuários de maconha e cocaína vão receber o tratamento junto a um grupo de apoio, enquanto que os que consumem cocaína através de injeções na veia e fumam crack são encaminhados para internação em clínicas especializadas.
Segundo o chefe da Divisão Policial da Capital, Marco Antônio Lagana, o uso do crack vem aumentando em algumas regiões, ‘‘mas não vejo aumento muito grande’’. Para combater o problema, ele acredita que todo a força policial deve trabalhar em conjunto, trocando informações para diminuir o problema. Esse assunto foi tema de um encontro entre o titular da Delegacia Anti-tóxicos e o recém-empossado secretário da Segurança Pública, Rubens Abrahão Tanure, que no encontro firmou o compromisso de determinar a troca de dados através da troca de relatórios entre as delegacias.
Para tentar chegar até as crianças e adolescentes antes dos traficantes, e evitar que o aumento no consumo nessa faixa etária continue, a Delegacia Anti-tóxicos investiga a ação de traficantes em colégios.

mockup