Os 106 homicídios registrados este ano em Londrina já superam em 27% os 83 casos registrados em todo o ano passado. Para os comandantes das polícias Civil e Militar, o crescimento está relacionado ao aumento no número de pessoas detidas por tráfico de drogas no município. ''Os traficantes presos entendem que foram denunciados por outros traficantes, o que acaba gerando os chamados 'acertos de conta''', explicou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Sérgio Luiz Barroso.
Ele participou ontem do café da manhã oferecido pelo 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) aos membros dos conselhos municipais de segurança de Londrina e Região. As reuniões, que estavam suspensas desde maio, voltam a acontecer mensalmente na sede do 5º BPM. ''O objetivo é aumentar a interação com a comunidade'', explicou o tenente-coronel César Vinícius Kogut, comandante da corporação.
O delegado Barroso divulgou que quase 400 pessoas já foram presas suspeitas de tráfico de drogas esse ano, número que supera em 60% o índice de 2007. Segundo ele, 50% dos crimes contra o patrimônio (furtos e roubos) e 90% dos crimes de homicídio são decorrentes do tráfico. Mas a prisão dos traficantes não é suficiente para resolver o problema. ''É preciso investir na recuperação dos dependentes de drogas, inclusive com mudança na legislação, que não permite a internação de dependentes avançados contra a vontade deles'', considera.
Na reunião, o comandante da 4 Companhia Independente da PM na Zona Norte, major Samir Elias Geha, ressaltou que o investimento feito na região, com a instalação da companhia em agosto do ano passado, reduziu consideravelmente os índices de criminalidade. Atualmente, a corporação oferece 163 policiais para atender uma população de 200 mil habitantes.
Jurandir Rosa, presidente do Conselho de Segurança da Região Leste - cujos bairros pertecentes à Gleba Lindóia são responsabilidade da 4 Cia -, confirma que a presença da polícia aumentou a sensação de segurança entre os moradores. ''Foi a melhor coisa que aconteceu na região. Ninguém mais ouve falar de roubos a residências e estabelecimentos comerciais'', comentou.

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