O abuso sexual contra crianças em Sarandi (7 km a leste de Maringá) está chamando a atenção e até assustando os profissionais do Conselho Tutelar e da polícia. Só nos meses de agosto, setembro e primeiros dias de outubro foram registrados 13 casos. Para a psicóloga da prefeitura, Silvana Aparecida Panaro, responsável há 11 anos pelos psicodiagnósticos solicitados pela Justiça, os números e os casos chegam ‘‘próximo a uma aberração’’.
A situação de Sarandi não é única na região Noroeste. É difícil encontrar uma delegacia que não tenha registrado pelo menos um caso de abuso contra crianças nos últimos meses. São todas histórias dramáticas, envolvendo em sua maioria, crianças menores de 12 anos molestadas por quem elas menos esperavam e dentro da própria casa. São pais, tios, padastros e irmãos, os principais responsáveis pela violência.
Conforme o Conselho Tutelar, este ano os números já ultrapassaram os 30 casos em 1999. Além disso, segundo a psicóloga Silvana Panaro, há uma constatação no aumento de abusos contra meninos. Só em um caso, três meninos foram abusados por um mesmo agressor.
Silvana disse que que em uma semana atendeu em conjunto com a Polícia Civil seis agressões sexuais contra crianças. ‘‘A situação de Sarandi merece inclusive uma análise mais profunda para tentar se constatar as causas destes abusos, principalmente pelo fato da estatística estar crescente e dos casos envolvendo meninos’’, ressalta a psicóloga.
Silvana lembra que os agressores, em sua maioria, têm o mesmo perfil. Além de ser homens da própria família da criança ou vizinhos, são pedófilos (que manifestam desejo forte de práticas sexuais com crianças), cujo distúrbio não é aparente nas relações sociais e profissionais. ‘‘A pessoa não é anormal, ao contrário, tem inclusive respeito dentro da comunidade em que vive’’, destaca a psicóloga.
Silvana lamenta o fato de não poder constatar ainda os motivos que estariam levando a este ‘‘avanço’’ da pedofilia em Sarandi. ‘‘Por isso, a necessidade de um estudo mais aprofundado ou quem sabe até de uma tese de mestrado’’, sugere a psicóloga.
A psicóloga explica que o diagnóstico feito com a criança é de extrema importância porque forma a opinião jurídica que leva à prisão do agressor. Como o flagrante é quase impossível no abuso sexual, a polícia tem no psicodiagnóstico a principal fundamentação do pedido de prisão, além do laudo do Instituto Médico-Legal, dependendo do nivel da agressão.
Segundo Silvana, se comparado há 11 anos, quando começou o trabalho na prefeitura de Sarandi, as crianças estão mais ativas na procura de ajuda e em alguns casos chegam a ir direto à delegacia. A psicóloga lembra que antes a denúncia ou o pedido de ajuda eram escalonados. A criança falava com uma amiguinha para depois chegar em um professora e daí até o conselho ou a polícia.

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