O crescimento rápido e assustador da dengue em Londrina, que já registrou oficialmente 293 infectados com o vírus da doença nestes primeiros 50 dias de 2003, contra um total de 429 casos registrados durante todo o ano passado, mobilizou o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), secretários municipais, médicos, padres, líderes de associações de moradores, agentes de controle de saúde e até o superintendente da Irmandade Santa Casa de Londrina, Fahad Haddad a participarem da audiência pública, anteontem, na Câmara. ''Londrina não pode deixar que este mosquito cause uma epidemia tão grave, que amanhã possa comprometer qualquer um de nós'', afirmou Haddad. A dengue é transmitida pelo Aedes aegypti.
Somente ontem foram notificados mais 100 suspeitos de terem contraído a doença, totalizando 1.150 notificações desde o início de janeiro. O resultado dos novos exames devem ser concluídos amanhã.
As ações para evitar o avanço da dengue, que atinge hoje 38 locais nas quatro zonas da cidade, segundo a maioria dos participantes, devem ser intensificadas. Destes locais identificados pela Secretaria Municipal de Saúde, nove já se encontram em situação de surto. De acordo com o programa 'Londrina no Combate à Dengue', são consideradas áreas de prioridade máxima: Pindorama, Santa Fé, Marabá, Monte Cristo, Conjunto Novo Amparo, assentamento Novo Amparo II, favela e fundo de vale da Avenida Santa Mônica, Rua Zircônio, Santa Inês e Escola Vila Ricardo.
O número de infectados deste início de ano já somam mais do que a metade do total de doentes registrados pela 17 Regional de Saúde em 2002. ''Se continuar neste ritmo, em março deveremos superar o número do ano passado'', disse o chefe da 17 Regional de Saúde, Gilberto Martin. Para ele, é fundamental mobilizar a comunidade. ''Para que então, ela faça a sua parte'', afirmou.
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, manifestou sua preocupação com as possibilidades de uma epidemia em Londrina e do aparecimento de casos de dengue hemorrágica. ''Corremos o sério risco de uma epidemia'', reconheceu diante de cerca de 300 presentes no plenário da Câmara. ''As 1.150 notificações, em praticamente um mês e meio, nos forçaram a tomar medidas mais drásticas'', declarou Fernandes.
A identificação do tipo de vírus da maioria dos casos registrados em Londrina também colocou a Secretaria de Saúde em estado de alerta. O vírus tipo 3, encontrado em vários infectados, oferece uma susceptibilidade maior de vir a ocorrer dengue hemorrágica. No ano passado, houve registro de apenas um caso de dengue hemorrágica, curado sem maiores problemas.