Aumento de 380% no IPTU de Ibaiti mobiliza comunidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Benedito Teles<br> Equipe da Folha 
Ibaiti Vários setores da comunidade de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho) estão se mobilizando contra o aumento de até 650% nos valores do Imposto Predial Territorial e Urbano (IPTU). Eles alegam que o aumento médio do IPTU foi de 380%, em relação ao ano passado. Os coordenadores do movimento disseram que o reajuste foi arbitrário e provocado pelo aumento no valor venal das propriedades.
Está prevista para hoje uma reunião entre os representantes da comunidade e da prefeitura. Segundo os coordenadores da mobilização, o objetivo do encontro é reivindicar uma redução nos valores. Porém, eles não descartam a possibilidade de contestar o aumento na Justiça, por meio de um mandado de segurança e com depósito judicial dos valores cobrados.
O diretor da indústria Móveis Liberatti, Roberto Regazzo, disse que verificou um reajuste de 650% no valor do seu IPTU. Ele lamentou a ausência de membros do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), da sociedade e até da Câmara de Vereadores na comissão responsável pela avaliação do valor venal dos imóveis. Regazzo prevê um recuo nos investimentos na cidade devido à tributação e prejuízo para as pessoas que construiram ou reformaram seus imóveis. ''A medida penaliza as pessoas que investiram na cidade'', desabafou.
Um grupo de quase 400 pessoas realizou anteontem, no Fórum de Ibaiti, uma reunião para discutir quais medidas poderão ser tomadas. Após a reunião foi formada uma comissão de representantes da comunidade local. Os membros da comissão explicaram que o reajuste surpreendeu toda a população porque o aumento do IPTU previsto, além da inflação, era de aproximadamente 10%.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Ibaiti, Jaime Fernandes de Carvalho, admitiu a valorização dos imóveis, mas disse que o aumento deveria ser gradativo. O presidente também teme que o aumento provoque um desaquecimento no setor imobiliário e interrompa o processo de desenvolvimento do município. ''O reajuste deveria ter sido discutido com mais antecedência junto à comunidade'', lamentou.
Um empresário que não quis se identificar disse que, além do escalonamento do aumento do imposto, a prefeitura deveria adotar critérios como a dimensão dos imóveis para definir os valores referentes à cobrança da taxa de coleta de lixo. O empresário afirma que a cobrança deveria ser proporcional e compatível à área do imóvel. ''Um valor padrão para todas as pessoas é injusto'', disse.


