Aumentam vítimas no setor de construção civil
Arquivo FolhaEnquanto um dos mentores do Código, Octávio Valeixo (acima), comemora a redução de mortes violentas no trânsito, o setor de construção civil continua matando operários por descumprir as normas de segurançaOs operários da construção civil não têm o que comemorar. O número de acidentes fatais aumentou de 68 para 80 no ano passado em Curitiba, em relação ao ano anterior. O secretário de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Curitiba, Domingos Oliveira David, culpa parte do empresariado. O desrespeito por parte da classe patronal na área de segurança é muito grande, afirma.
Apesar das campanhas de segurança do trabalho feitas por várias empresas, David acredita que a preocupação com a produção é maior do que com o fator humano. O número de quedas de nível é altíssimo para uma cidade que é considerada modelo, afirmou.
Em 97, o INSS registrou no Paraná 215 amputações, dessas 33% no ramo da madeira e mobiliário, metalúrgico 5% e construção civil 6%. Já no índice de mortes, a construção civil lidera nos acidentes de trabalho. Segundo balanço divulgado pela Revista Proteção, em 97 foram registrados 27.968 acidentes de trabalho, com 252 óbitos registrados no Paraná. Deste total, 13.940 casos estão no sistema. Do total de 83 mortes investigadas, 12% dos acidentes foram na Construção Civil. E os motivos são basicamente falta de equipamentos de segurança e descumprimento da legislação.
Para planejar ações na área da saúde do trabalhador, a Secretaria Estadual mantém o Centro Metropolitano de Apoio à Saúde do Trabalhador. O técnico José Luiz Nishihara Pinto admite que há deficiência nas estatísticas, pois 60% dos trabalhadores do setor de construção civil atuam informalmente, sem carteira assinada. Mesmo entre os trabalhadores do mercado formal existe subnotificação. Nem sempre os casos notificados pelo INSS são informados ao Centro. (D.V.)





