Aumentam reclamações contra Telepar
Desde que a empresa foi privatizada, em julho de 98, número de denúncias na Secretaria de Defesa do Consumidor aumentou 56%
Mauro FrassonAtrapalhosA fonoaudióloga Erhis Felini pensa em acionar a Telepar na JustiçaDimitri do Valle
O número de reclamações e atendimentos com a qualidade dos serviços de telefonia fixa da Telepar subiu 56% depois que a empresa foi privatizada em julho do ano passado. Os números da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor atestam que 1.606 clientes da companhia telefônica comunicaram problemas na secretaria entre o dia 1º de julho de 1998 até a quarta-feira deste semana. No mesmo período verificado entre julho de 1997 até junho do ano passado, a quantidade de pessoas que procuraram a secretaria chegou a apenas 1.027.
Nas últimas semanas, não faltaram reclamações contra a Telepar. O analista de sistemas Marco Aurélio Muller, 25 anos, ficou aguardando durante sete dias para que técnicos da empresa solucionassem um problema em seu telefone. Em apenas um aparelho, duas linhas diferentes foram instaladas. Marco diz que teve que ligar três vezes para o serviço telefônico 104, que registra as queixas dos clientes. Cansado da indefinição, o analista pediu a atendente para falar com algum representante superior. Recebeu uma resposta grosseira, sugerindo que ele fosse reclamar à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão do governo federal responsável pela fiscalização das teles privatizadas.
‘‘Isso pra mim foi um absurdo. Foi um tratamento ridículo. Eles demonstraram que não tinham condições de resolver o meu problema. É incompetência mesmo’’, protesta Marco Aurélio. A única explicação que o cliente teve foi de que um funcionário errou a instalação da linha pois não havia recebido o treinamento correto para este atividade.
Diversas falhas - A fonoaudióloga Erhis Felini, 34 anos, pensa em acionar a Telepar na Justiça. A sua linha telefônica, comprada há dois meses, continua apresentando diversas falhas. ‘‘Tem hora que fica mudo, tem hora que ele não toca e quando a gente quer ligar tem vezes que não há linha disponível’’, relata.
Além dos problemas técnicos, Ehris diz que esperou durante dois meses para ter o telefone instalado. ‘‘Isso de tanto eu reclamar’’, conta. Assim como o analista de sistemas Marco Aurélio Muller, Ehris diz também que não teve uma explicação clara sobre as falhas em seu telefone. ‘‘Ficam dizendo que é problema técnico externo da área, depois dizem que é problema interno. Nunca soube realmente o que aconteceu’’, declara.
Ainda na terça-feira, a Folha tentou ouvir a Telepar sobre os problemas, mas até às 18 horas de ontem a empresa não tinha se manifestado.

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