Dados divulgados à imprensa ontem pela Secretaria Municipal de Saúde apontam que o número de pessoas que morreram em Londrina em 2002 em decorrência de doenças alcóolicas é 27,5% superior, em proporção, ao ano passado. Até agosto, foram 30 mortes, que representam 2,35% do total de óbitos, contra 48 mortes em 2001 inteiro (1,84% dos óbitos).
As internações por transtornos relacionados ao álcool subiram 10%: eram 655 em todo o ano passado e em 2002, em oito meses, já são 718. O secretário de saúde, Sílvio Luiz Fernandes, diz que este aumento é uma tendência nacional. ''O consumo de drogas lícitas, como o álcool, é um dos problemas prioritários da área de saúde em todo o Brasil'', assegura Fernandes.
Uma pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas, órgão ligado ao Gabinete de Segurança da Presidência da República, não deixa dúvidas o levantamento, realizado nas 107 maiores cidades do País entre setembro e dezembro do ano passado, mostra que 19 milhões de pessoas, 11,2% da população, são dependentes alcóolicos.
O secretário afirma que é necessário mais vigor em atividades de prevenção. ''É preciso restringir com eficiência a venda de bebidas para menores e os currículos escolares precisam valorizar a importância de se evitar o álcool. As campanhas publicitárias de bebidas também deviam ser tratadas com atenção, porque estão por toda parte e sempre trazem um conteúdo que vincula álcool a prazer total'', argumenta Fernandes.
Segundo o secretário, o consumo mais precoce de bebida alcóolica já pode ser sentido em Londrina: a maioria dos 30 mortos está na faixa etária entre 40 e 49 anos, enquanto em 2001 pessoas entre 50 e 59 anos formavam o conjunto mais significativo. ''Quando mais cedo se consome álcool, mais cedo se está sujeito a doenças como cirrose, insuficiência hepática e hepatite hepática'', afirma Fernandes.
Sílvio Fernandes defende que a Secretaria já realiza várias atividades com o objetivo de tratar alcóolatras, como o Centro de Apoio Psicossocial, o Espaço Vida e Saúde da Família, e diz que é hora de toda a sociedade trabalhar em torno de atividades preventivas.
Em Londrina, a Casa de Maria, que existe há doze anos, é uma das instituições que trabalham na recuperação de dependentes alcóolicos. ''Recebemos cerca de 300 pessoas por mês em nosso ambulatório. Acho que existe um movimento positivo, das pessoas estarem mais abertas para procurar tratamento. Existe uma consciência de que alcoolismo é uma doença e só pode ser contida com um trabalho junto à família'', diz Regina Célia Almeida, presidente da Casa de Maria.

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