Aumentam os casos de fugas de crianças
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de janeiro de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
Janeiro é um mês atípico para o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). Os casos de menores que fogem de casa quase triplicam em relação aos outros meses do ano. Segundo os policiais da unidade, as crianças ficam com o tempo mais livre nas férias escolares, o que dificulta a vigilância dos pais.
Só entre a última segunda-feira e ontem foram comunicadas três fugas, mantendo a tendência de alta no primeiro mês do ano. Janeiro de 2000 terminou com o registro de 11 casos. Nos demais meses, a média histórica é de quatro boletins de ocorrência. É um período problemático, diz o superintendente do Sicride, Renato Ferreira.
A virada de ano do artesão V.A.B., 33 anos, e da dona de casa S.A.B., 32 anos, foi de desespero. Na noite do dia 31 de dezembro, uma das filhas do casal, F.B., de 9 anos, sumiu pela segunda vez em três meses. Ficamos aqui chorando enquanto todos festavam, conta o pai.
F.B. só foi localizada dois dias depois perambulando pelo bairro Tatuquara, em Curitiba, onde a família mora. A menina saiu de casa para brincar com algumas amigas, que foram parar num bailão de Ano Novo no bairro. De madrugada, ela aceitou carona no carro de um desconhecido para voltar para casa, mas foi deixada num matagal.
A partir da carona, F.B. não consegue lembrar do que aconteceu. Quando foi encontrada, a garota apresentava hematomas nas pernas, levantando a suspeita de estupro. Os pais aguardam o resultado do exame de lesão corporal para saber se ela foi ou não violentada.
Por causa desta expriência, F.B. começou tratamento psicológico na quinta-feira. Ela é uma criança muito inocente, que aceita as coisas com facilidade, diz S.A.B. O artesão lembra que chegou a esperar pelo pior. Nós dois estávamos preparados. Olhei até em valetas. A segunda-feira foi um dia horroroso para mim.
O superintendente do Sicride, Renato Ferreira, aconselha que os pais devem redobrar a vigilância se não quiserem passar pela experiência da família do bairro Tatuquara. As crianças acabam se envolvendo com as turmas de amigos e aí ocorrem os casos de desaparecimento, afirma.
Desde a criação do Sicride, há cinco anos, foram registrados 457 desaparecimentos de crianças. Apenas um continua sem solução. Os números anuais apontam uma diminuição do número de casos desde 1996, que teve o maior número de ocorrências: 151.
Mas há quatro anos, a estatística do Sicride apresenta queda. Em 1997, foram 94 casos, contra 83 em 1998, 64 no ano retrasado e 55 em 2000. Renato Ferreira acredita que casos de repercussão e campanhas do Sicride serviram de alerta à população, que passou a tomar mais cuidado com os filhos.


