O número de mortes por septicemias, conhecidas como infecções generalizadas, vem aumentando no Paraná nos últimos três anos. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), de 2007 para 2008 foi registrado um crescimento de 14% nos óbitos em todo o Estado. A doença causou a morte da modelo capixaba Mariana Bridi, 20 anos, nesta semana, após a amputação de seus pés e mãos.
No ano passado, 5.080 pessoas morreram em decorrência de sepse nos hospitais do Estado, que liderou a implantação de um programa modelo de incentivo a identificação e tratamento corretos da doença. Em 2007 foram 4.422 mortes e 4.126 em 2006. Dados nacionais apontam que a mortalidade da doença é 50% maior em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) públicas do que em privadas.
A Sesa foi procurada pela reportagem para comentar os motivos do aumento das mortes por sepse no Paraná, mas não deu retorno até o fechamento dessa edição.
Segundo o médico Álvaro Réa Neto, presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva (Amib), a septicemia pode evoluir de uma infecção bacteriana, como pneumonia ou urinária -no caso de Mariana- ou mesmo de um fungo ou vírus, mas é tratável. O Programa de Otimização e Tratamento da Síndrome Séptica (POTSS), desenvolvido mundialmente em 2004, é focado no gerenciamento dos recursos e conscientização dos médicos.
"O protocolo prevê medidas simples, como a identificação imediata da síndrome, início rápido do tratamento com um antibiótico apropriado, reposição de volume (com soro), ventilação mecânica (respirador artificial), administração de corticóide, entre outras. Tudo isso não implica grandes custos, apenas gerenciamento do que já existe nos hospitais", explica.
Quando o programa foi inicialmente aplicado, em março de 2006, Réa Neto fez o controle de resultados em quatro UTIs do Paraná. Os dados coletados durante 100 dias no Hospital das Clínicas e Hospital do Trabalhador, em Curitiba, Hospital Universitário de Londrina e Hospital Universitário de Cascavel demonstraram uma queda de 25% nas mortes com a aplicação das medidas simples.
De acordo com a diretora do Centro de Medicamentos do Paraná, Deise Pontarolli, hoje são sete hospitais públicos que aplicam o POTSS. "São centros de referências em pontos do Estado que podem atender bem a população. O programa compreende o treinamento das equipes, medicamentos e as medidas de suporte", diz.
Segundo o médico, desde então outros hospitais paranaenses passaram a adotar as medidas, de forma adaptada. "Hoje a grande maioria dos profissionais de saúde já conhecem o protocolo. O Paraná liderou a implantação, mas esse quadro é semelhante no restante do País", afirma.

Identificação
Réa Neto aponta os sintomas indicativos de que uma infecção pode ter evoluído para sepse. "Se a pessoa tiver alteração de consciência, lesões na pele, perceber diminuição na produção de urina, tontura ou olho amarelado, deve procurar tratamento imediatamente", recomenda.

mockup