Aumentam casos de raiva em morcegos urbanos
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segunda-feira, 29 de maio de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Monitoramento realizado pela Divisão de Zoonoses da Secretaria de Estado de Saúde detectou um aumento no número de morcegos contaminados com o vírus da raiva encontrados em áreas urbanas no Paraná. O alerta não deve ser motivo de pânico mas é preciso redobrar os cuidados ao se encontrar um morcego, vivo ou morto, uma vez que todas as espécies podem, potencialmente, ser transmissoras de raiva, doença infecciosa que pode ser fatal. A tendência seria um reflexo do maior esclarecimento da população mas também um indício de que esses mamíferos estão encontrando nas cidades condições adequadas para se alimentarem e reproduzirem.
O médico veterinário da Divisão de Zooneses, Paulo Guerra, aponta que o total de morcegos enviados este ano para os laboratórios das Secretarias de Saúde e da Agricultura (que monitora e analisa os morcegos hematófagos, chupadores de sangue) ainda não foi fechado. Mas estimou que, na média semanal, chegam entre cinco e dez exemplares para análise. Até o momento, o vírus da raiva já foi encontrado em cinco morcegos recolhidos em Foz do Iguaçu. Em todo o ano passado, 15 dos mais de 200 morcegos estudados nas duas Secretarias deram positivo para o vírus da raiva. Em 2004, só foram encontrados dois exemplares com raiva entre 89 morcegos não-hematófagos analisados.
Para Guerra, o aumento no número de casos de raiva em morcegos tem relação com o maior esclarecimento da população, aos casos de morte registrados no ano passado no Maranhão e Pará e porque as casas da Zona Urbana oferecem cada vez mais locais seguros para os animais se entocarem. ''Nós estamos invadindo o habitat deles e dando todas as condições para que se fixem em nossas casas. Em caixas de ar condicionado é importante não deixar frestas e buracos'', orienta.
O desmatamento de florestas, segundo ele, deve ser considerado mas não é a única variante que expulsa os morcegos para as áreas urbanas. Em Londrina e Tamarana, segundo a médica veterinária da regional da Secretaria de Estado da Agricultura, Luci Léia Pedraça, a derrubada das matas deve ter relação com a queda no número de morcegos hematófagos encontrados nos cinco abrigos que são monitorados duas vezes ao ano. ''A população diminuiu em relação aos outros anos e a causa pode estar ligada ao desmatamento'', analisa a veterinária.
Guerra alerta que todo contato físico com morcego é acidente grave, ''pois não se deve esquecer que eles se lambem para se limpar''. A saliva do animal com raiva contém o vírus que, em contato com ferimentos e mucosas, pode contaminar humanos. Jamais se deve tentar capturar um morcego vivo ou usar cães e gatos para a tarefa. Em 2005, em Foz, um rotweiller morreu após ser contaminado por um morcego hematófago. Quando um exemplar é encontrado morto, o melhor a fazer é evitar o contato direto: com as mãos bem protegidas, coloque o morcego em um recipiente fechado e acione as secretarias de Saúde ou Agricultura.
No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, entre 1986 a 2005, foram notificados 743 casos de raiva humana, sendo que as regiões nordeste e norte contribuíram com a maior parte. Somente no ano passado, por causa de surtos ocorridos em municípios maranhenses e paraenses, foram relatados 44 casos de óbito ligados à doença: 42 deles foram provocados por morcegos hematófagos. No Paraná, o último registro de morte humana relacionada à raiva transmitida por morcegos foi em 1987.


