Aumentam casos de intoxicação por agrotóxico
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
A Secretaria de Estado da Saúde registrou um aumento de 18,75% no número de casos de intoxicação aguda pelo uso indevido de agrotóxico em trabalhadores e agricultores no ano passado. Em 2006, 645 notificações haviam sido feitas junto à Secretaria de Saúde. Já em 2007, os casos notificados subiram para 766 registros. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está sistematizando um banco de dados para ter um perfil de envenenamento humano por agrotóxicos em todo País.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que para cada caso de intoxicação aguda, outros 50 casos de intoxicações crônicas não são notificados nos pronto-socorros. Pela estimativa da OMS, o Paraná teria tido 38,3 mil casos de intoxicação crônica só no ano passado.
Matéria publicada na FOLHA na semana passada informa que desde 2005 o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-Pr) não fiscaliza o trabalho de engenheiros agrônomos no diagnóstico e orientação quanto ao uso de agrotóxicos pelos proprietários rurais. A denúncia já provocou providências. O procurador da Justiça do Ministério Público Estadual, Saint-Clair Honorato Santos, disse que remeteu ofício ao Crea para que faça as fiscalizações na lavoura.
O procurador deduz que, pelo uso indevido, a aplicação de agrotóxico não está sendo orientada e diagnosticada no campo por engenheiros do Crea. Honorato, que também é presidente Estadual do Fórum de Agrotóxicos, viajou todo mês de janeiro pelo interior do Paraná investigando esta situação. O procurador cita até casos de mortes por intoxicação. ''Sobre este aspecto, a Secretaria de Saúde do Estado tem mais dados'', informa.
Gisélia Rubio, chefe da Divisão Vigilância de Zoonoses e Intoxicações (DVZI) da Secretaria da Saúde, é cautelosa ao comentar o aumento dos casos. Segundo ela, não dá para dizer se estes números demonstram uma tendência. ''Entretanto, não descarto esta hipótese'', afirmou.
Gisélia, que é bióloga, explica que as notificações de envenenamento por agrotóxico no Paraná começaram a ser feitas em 1975. Uma série histórica de 1986 até os dias atuais demonstra uma situação controlada. A média, segundo dados disponibilizados pela Secretaria, gira em torno de 700 casos por ano. Entre 1990 e 1995, porém, os casos superaram as mil intoxicações por ano, devido à cultura de algodão.
''Apesar de ser obrigatória a notificação dos casos de envenenamento à Secretaria de Sa© úde, ela é subnotificada'', argumenta Gisélia, explicando que há muitos casos em que o profissional de saúde desconhece que o paciente está intoxicado por agrotóxico. ''Portanto, pode haver muitos casos além dos notificados'', calcula.
Outro problema é o ''mascaramento'', ou seja, a vítima de intoxicação muitas vezes se medica antes de procurar ajuda médica. ''As pessoas acabam se automedicando. O agricultor e o trabalhador rural são educados para que dor de cabeça, mal-estar, enjôo, fraqueza, não sejam sintomas de intoxicação, sejam normais para eles. Eles só vão parar no médico quando caem'', aponta Gisélia.
A bióloga acha preocupante que o Crea não fiscalize os agrônomos que indicam agrotóxico. ''Não há controle sobre os venenos utilizados na lavoura. O número de casos por envenenamento pode aumentar ainda mais'', prevê.


