O ano de 2005 está sendo atípico no que diz respeito ao número de casos de hepatite A. Até agora já foram registrados 70 casos, contra 15 notificados durante todo o ano de 2002 e 23 casos em 2003. Ainda não há dados fechados de 2004. As mais atingidas pelos vírus, que é transmitido através das fezes e da saliva, são as crianças que ficam em creches.
  Segundo a gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Sonia Fernandes, os casos estão concentrados em Centros de Educação Infantil (CEIs) e escolas dos Jardins Lindóia, Eucaliptos, Marabá (Zona Leste), Itapuã (Zona Sul) e Vila Portuguesa (Área Central).
  ‘‘A doença é perfeitamente curável, mas é facilmente disseminada entre as crianças menores, que precisam ser supervisionadas constantemente.’’ Sonia informa que os sintomas – vômito, coloração amarela nos olhos, febre, diarréia, fezes sem coloração e falta de apetite – podem durar até 30 dias. ‘‘Não existe tratamento de combate ao vírus. A doença deve ser controlada e, na grande maioria das vezes, tem evolução benéfica’’, esclarece a gerente. Não existe vacina contra a hepatite A na rede pública de saúde.
  A Secretaria de Saúde, juntamente com a Vigilância Sanitária e profissionais das Unidades Básicas de Saúde, têm orientado a população e dirigentes de creches para intensificar os cuidados com higiene. Outra recomendação, segundo Sonia, é proibir que as crianças tomem banho em rios e córregos sabidamente poluídos. ‘‘Não há tratamento para eliminar o vírus da água contaminada.’’ Respeitar o prazo determinado pelo médico para que a criança não entre em contato com outras também é fundamental.
  A casa da dona-de-casa Sirlei Ferreira dos Santos mora no Jardim Marabá, que fica às margens do Córrego Água das Pedras, um dos mais poluídos da zona urbana. Ela diz que nunca deixa os filhos brincarem no córrego, mas quando chove muito, a água invade a varanda dos fundos da casa. ‘‘Tem muita criança que vem nadar aí. Eu tenho dois sobrinhos que quando moravam aqui, tiveram hepatite.’’ A maioria das casas construídas à margem do córrego não tem fossa séptica, despejando os dejetos no manancial.
  Na creche do bairro, quatro crianças tiveram hepatite de janeiro para cá. A última vítima foi o filho de três anos da catadora de papel Vera Lúcia Bruno Barbosa. ‘‘Tive que ficar um mês com ele em casa, sem trabalhar.’’ A coordenadora pedagógica do CEI, Fabiane Paula Pletz, diz não se lembrar de casos de hepatite A nos três anos anteriores.
  No CEI do Jardim Pindorama, na mesma região, foram três casos da doença nos últimos meses. Atualmente, uma professora, que chegou a ficar internada uma semana, está de licença por contaminação pelo vírus. ‘‘Um dos alunos que teve a doença estava com uma irmã com hepatite em casa’’, revelou a coordenadora interna da creche, Luzeni de Araújo Marques. A coordenadora não descarta a possibilidade de interditar o Centro, se aparecerem mais casos de contaminação pelo vírus. ‘‘A preocupação é que os sintomas podem ser confundidos com virose’’, diz.


Cuidados para evitar a transmissão:
- Lavar bem frutas e verduras
- Lavar as mãos antes de manipular alimentos
- Usar somente banheiro ou fossas sépticas para destinar dejetos
- Lavar as mãos sempre que trocar a fralda do bebê
- Não nadar ou utilizar água dos ribeirões existentes na área urbana
- Procurar assistência médica se a criança apresentar algum dos sintomas da doença

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