Aumentam casos de doenças respiratórias
Com o clima seco, cuidados com as crianças devem ser redobrados; PAI registra crescimento de casos nas últimas semanas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de julho de 2019
Com o clima seco, cuidados com as crianças devem ser redobrados; PAI registra crescimento de casos nas últimas semanas
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

Com o clima seco, os cuidados com as crianças devem ser redobrados. A FOLHA conversou com uma pediatra de plantão no PAI (Pronto Atendimento Infantil), na região central de Londrina, unidade que tem registrado um aumento dos casos de doenças respiratórias nas últimas semanas.
Segundo a pediatra Ilda Maria Cardoso Alves Rodrigues, cerca de 60% dos atendimentos têm tido relação com o tempo seco. “Nessa época de férias escolares, o número de atendimentos cai de uma média de 300 para 200 por dia. Porém, a gente tem uma prevalência de quadros de rinite, asma, bronquiolites, gripes e resfriados”, afirma.
A médica explica que as crianças, especialmente os bebês (abaixo de 2 anos), costumam ter uma obstrução nasal importante e, por isso, a recomendação é "lavar" abundantemente o nariz com soro fisiológico. “A via aérea na parte do nariz é mais estreita e o pouco de secreção que se acumula ali vai incomodar a criança. Ela não vai dormir bem porque estará com dificuldade para respirar”, diz.
A limpeza pode ser feita mais de uma vez por dia. “Quem não tem aquela solução nasal em spray pode aplicar com uma seringa, que é até mais barato. Além de desobstruir, o soro também elimina vírus e bactérias, pois o nariz funciona como um filtro que vai acumulando sujeira”, explica a médica.
Em relação à higiene do ambiente, as principais dicas são: umidificar os espaços, mantê-los arejados e livre de fumaça. Outro cuidado fundamental é a ingestão de líquidos, inclusive em casos de resfriados e gripes. “Quando as crianças ficam doentes, a primeira coisa que vai embora é o apetite. Então, a falta de apetite não é um sinal de gravidade. O mais importante mesmo é a hidratação”.
POEIRA E ASMA
A família Brandão estava na sala de espera do PAI na manhã de segunda-feira (29), aguardando o resultado de exames. O pequeno Caleb, de 1 ano e 8 meses, está há alguns dias sofrendo com coriza, tosse seca e falta de ar.
“Em toda mudança de tempo é assim. Quando o clima está seco, como nas últimas semanas, a tosse piora bastante. A gente toma os cuidados em casa, mas tem horas que é importante entrar com os remédios”, diz a mãe Anny Caroline.
Bianca Cassemiro, 5, também estava na sala de espera do PAI. Ela tem asma e a mãe Suzana conta que quando o clima está seco, ela fica com dificuldade para respirar. “Faço inalação em casa com soro e ajuda muito. Agora comprei um umidificador e espero melhorar, até porque está tendo obra na minha rua e a poeira invade tudo. A poeira para quem tem asma é horrível”, comenta.
De acordo com a pediatra, os pais devem buscar o serviço médico quando percebem que a criança está fazendo esforço para respirar ou apresenta febre alta (acima de 39º C). "Principalmente em bebês, pois nessa faixa etária o quadro respiratório pode se agravar em pouco tempo. Mas as recomendações valem para todas as pessoas, incluindo idosos que também sofrem muito com o clima", ressalta.


