Aumentam casos de ameaças de morte
Trezentos casos de violência física, sexual e psicológica contra crianças e adolescentes foram registrados somente nos últimos seis meses pelos conselhos tutelares de Londrina. Embora ainda não disponha de dados comparativos com as gestões anteriores, a presidente do Conselho da Zona Norte, Edeni Ramos Vilela, garante que os dados são ''bastante alarmantes''.
A maior parte das vítimas, de acordo com Edeni, está nos bairros de menor renda. Para ela, esse fato se deve aos problemas que costumam vir na esteira da miséria: desemprego, alcoolismo, consumo de drogas. Os casos de violência física cometidos pelos próprios pais ou responsáveis ainda são maioria: foram 148 ocorrências, contra 31 cometidas por terceiros. A diferença é bem menor quando o assunto é abuso sexual: 48 casos ocorreram na própria família e outros 44 foram cometidos por terceiros. Também foram confirmados quatro casos de violência física cometida por policiais.
A presidente diz que não é possível precisar se foi o número desses crimes que aumentou ou apenas as notificações. ''O que podemos afirmar, com certeza, é que a população está denunciando mais'', observa.
Um problema que cresce visivelmente e que preocupa os conselheiros são as ameaças de morte contra adolescentes. ''Cada vez mais pais nos procuram, apavorados, dizendo que seus filhos 'não passam daquela noite'. O pior é que não temos para onde encaminhá-los, porque não há nenhuma instituição que dê proteção para esses adolescentes no Paraná'', lamenta Edeni. Segundo ela, os jovens não são levados para casas-abrigo comuns porque podem pôr a vida dos demais moradores em risco.
Mais uma vez, não foi possível repercutir o problema com a prefeitura. Ontem de manhã, a reportagem foi informada de que a secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizzoti, estava em reunião. (V.N.)





