Silvana Leão
De Londrina
A exemplo do que vem acontecendo em todo o Brasil, está mudando em Londrina o perfil das pessoas infectadas pelo vírus HIV, que transmite a Aids. Se na época em que foram registrados os primeiros casos na cidade os principais alvos da contaminação eram homens, homossexuais, com nível de escolaridade superior e pertencentes à classe alta, hoje o grupo mais suscetível tem características bem diferentes. É formado por adolescentes do sexo feminino, de pouca escolaridade e baixa renda.
No Dia Mundial de Combate à Aids, que será comemorado hoje, porém, temos um ponto a favor: no ranking nacional das cidades com maior número de pessoas infectadas pelo vírus, Londrina ocupa o 37º lugar, com 0.4% dos casos no Brasil. De 84 até hoje, 699 contaminações foram registradas. Destas, 494 ocorreram em homens (61%) e 205 em mulheres (29%). A maioria (92%), entre pessoas de 13 a 49 anos. Mais da metade das vítimas (51%) já morreram em função da doença.
Levantamento feito pelo Centro Integrado de Doenças Infecciosas mostra ainda que 190 casos foram registrados entre heterossexuais e 107 entre homossexuais. A transmissão por via sanguínea foi responsável por 245 casos registrados na cidade. Destes, 234 ocorreram pelo uso de drogas injetáveis e 11 por transfusão de sangue. O pico da contaminação pelo vírus no município aconteceu no ano de 93, quando foram registrados 95 casos. A média, na última década, ficou em 46.6 casos por ano.
Segundo o coordenador do Programa Municipal de Controle e Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, Luiz Toshio Ueda, a obrigatoriedade do exame elisa – que detecta a presença do HIV – nos bancos de sangue, diminuiu as chances de contaminação por transfusão, mas o risco continua existindo. ‘‘O problema é a janela imunológica, período em que os exames pelo método elisa não detectam o vírus por um período de aproximadamente 90 dias’’, explica Ueda.
Ele lembra que muitas das pessoas que se expuseram a uma situação de risco e temem estar com a doença procuram os bancos para doar sangue, interessados no exame. ‘‘Nestes casos, porém, o correto é que procurem o Centro de Orientação e Aconselhamento Sorológico (Coas), onde receberão orientações e poderão fazer o teste gratuitamente.’’ O Coas funciona no antigo posto de saúde do Centro, na Alameda Manoel Ribas (próximo à Concha Acústica).
De acordo com Luiz Ueda, os quatro pontos mais preocupantes em relação à questão da Aids em Londrina e no Brasil são o aumento no número de jovens infectados; a heterossexualização e feminilização (atinge cada vez mais mulheres); a pauperização (a classe de menor poder aquisitivo é a mais visada atualmente); e a interiorização (a doença deixou de ser um risco apenas para os grandes centros, infiltrando-se cada vez mais nas pequenas cidades).
Outras questões que despertam atenção hoje em dia são a popularização de medicamentos que atuam na potencialização sexual, como o Viagra, e a valorização da terceira idade, que trouxe à tona o risco de maior contaminação em idosos.
Também preocupa a falsa idéia, entre as pessoas menos esclarecidas, de que o coquetel de remédios é a cura para a doença. ‘‘A descoberta do coquetel aumentou a sobrevida dos pacientes, mas o seu benefício depende do quadro clínico apresentado’’, esclarece Ueda.

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