A chegada de trabalhadores rurais na manhã de ontem na Reserva Indígena Yvyporã Laranjinha, em Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio), aumentou o clima de tensão na área que há uma semana foi ocupada por cerca de 40 famílias guaranis. Os índios alegam que as terras foram tomadas deles por fazendeiros a cerca de 50 anos. Ontem, representantes da aldeia relataram a situação ao Ministério Público Federal (MPF) e também exigiram da Fundação Nacional do Índio (Funai) uma declaração apontando que eles são os legítimos proprietários dos 1.238 hectares.
Segundo o professor da reserva e representantes dos guaranis, Claudinei Ribeiro Alves, trabalhadores rurais armados chegaram na área com tratores e começaram uma plantação de milho. ''Acampamos lá para trabalhar e se eles plantarem, vamos colher para nós'', avisou.
Junto com um grupo de indígenas, o professor informou a situação ao Conselho Indígena do Paraná e ao Ministério Público Federal. A antropóloga do MPF, Luciana Ramos, explicou que o órgão atua como fiscalizador e vai acompanhar de perto as ações necessárias para que o processo caminhe.
Com o administrador regional da Funai, José Gonçalves, os índios conseguiram o compromisso de que até amanhã terão em mãos uma declaração de que a extensão total da reserva é de 1.238 hectares e que já foi integralmente reconhecida como área indígena desde 2003. A revisão dos limites da terra indígena Yvyporã Laranjinha já foi publicada no Diário Oficial da União mas ainda não teve a sanção do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Gonçalves apontou que nos últimos 50 anos, a área dos índios foi reduzida a 284 hectares, o que é muito pouco para os mais de 300 guaranis que vivem na região. ''Não dá nem um hectare para cada índio, o que traz problemas até para a agricultura de subsistência''.

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