No letreiro, o ramo do negócio: hotelaria. Mas é só chegar ao lobby com um olhar mais atento para perceber que não se trata de um estabelecimento como outro qualquer. Os latidos dos hóspedes e os brinquedos logo denunciam: trata-se de uma pensão para animais de estimação.
  E nos meses de férias, quando as famílias pensam em colocar o pé na estrada para curtir o verão, a procura por uma vaga num hotel de cães e gatos aumenta. É a alta temporada nos ‘‘resorts’’ onde os companheiros de quatro pernas são as estrelas. Tanto que em alguns lugares é preciso contratar funcionários extras.
  No Canil Bottini, localizado em Londrina, por exemplo, as reservas começaram a ser feitas em outubro. Quase não há mais vagas. No mercado há 30 anos, o lugar, que tem espaço para 84 cães, fica lotado, segundo a proprietária, Nilza Bottini.
  Situação semelhante é encontrada na Pet Stop, também em Londrina. Segundo o proprietário, César Kazuo, o número de hóspedes aumenta a partir do Natal. ‘‘A procura pelo serviço é grande. Tanto que precisamos contratar pessoal extra nesta época do ano para dar conta do recado’’.
  Rotina é mantida
  O número de vagas até pode mudar de hotel para hotel, mas algumas normas são seguidas por todos os que foram procurados pela FOLHA. Para ser admitido, o animal de estimação precisa estar com a vacina em dia. Também é necessário aplicar remédio antipulga. As exigências têm um único objetivo, garante Kazuo: o bem-estar do animal.
  Além disso, como forma de minimizar o estresse do bichinho, e assim evitar que ele adoeça, os donos devem deixar os objetos que os animais estão acostumados. A rotina deles também é mantida a mais próxima possível do normal. Alimentação e remédios precisam ser fornecidos pelos próprios proprietários.
  As diárias nos hotéis da região variam entre R$ 10 e R$ 15 e dão direito a dois passeios individuais por dia, no caso dos cachorros. Já os gatos, por medida de segurança, não saem sozinhos (por serem naturalmente mais livres e independentes, corre-se o risco deles não voltarem). Banho e demais serviços, como tosa, são cobrados à parte. Veterinários ficam a postos para eventuais problemas.
  Perfil dos hóspedes
  O movimento estava calmo no Pit Stop, na semana passada. Com capacidade para 31 animais, a pensão contava com quatro hóspedes durante a visita da reportagem: dois poodles, um rottweiler e um yorkshire.
  Mas a movimentação deve aumentar bastante nesta semana. Essa é a expectativa de César Kazuo. ‘‘Cada animal fica em seu próprio espaço. Os cubículos só são divididos com dois ou mais cachorros se forem do mesmo dono, para evitar brigas.’’
  Um dos hóspedes era Fofinho, um ‘‘senhor’’ de 14 anos, da raça poodle, que ainda estava se adaptando no pedaço. Ele chegou ao hotel há três dias e vai passar três semanas no local. Segundo especialistas, é normal o animal ficar assustado. Nos primeiros dias ele sente muita falta do dono, o que requer atenção especial dos tratadores.
  Por outro lado, o jovem Tobby, um simpático poodle toy de três anos, já entrou no ritmo do canil. Ele está hospedado faz algum tempo no hotel e deve ficar lá por cerca de dez dias. Enquanto a yorkshire Baronesa cuidava do look, o rotweiler Nex tomava um ar fresco fora do cubículo.
  Todo cuidado é pouco
  Cuidar desses animais é uma mescla de prazer e responsabilidade, define Maria Luiza Pereira Zanini, proprietária da Albi’z. ‘‘Eles são como criança. Quando recebemos o bichinho anotamos o telefone do dono e do veterinário, para qualquer emergência. Precisamos observar se ele está comendo, se toma água. Precisamos ter um cuidado todo especial.’’
  Cuidado mais especial ainda se os animais de estimação são tratados como filhos pelos proprietários. Maria Luiza diverte-se ao lembrar quando, certa vez, precisou recusar um pedido no mínimo diferente.
  ‘‘Uma proprietária chegou aqui para deixar sua cadelinha e explicou que o animal era acostumado a dormir junto com ela. Por isso, perguntou se eu não a deixaria dormir na cama comigo. Não aceitei. Mas, no final, o animal divertiu-se tanto aqui que sempre volta. O trabalho é duro, mas a gente se diverte’’, complementa Maria Luiza.
  Localizada na região rural de Cambé, a Albi‘z conta com um espaço para 70 animais; todos os lugares estão reservados, mas a rotatividade é grande. Na média, cada hóspede fica entre dez e 15 dias.
  Porém, Maria Luiza lembra do caso de um cão que morou no lugar durante 12 anos, até morrer. ‘‘Era de uma cliente nossa que morava em uma casa e depois se mudou para um apartamento, e não pôde levá-lo. A gente se apega muito a esses bichos.’’

SERVIÇO
Em Londrina
Canil Bottini: (43) 3341-6927
Pet Stop: (43) 3329-9198

Em Cambé
Albi’z: (43) 9972-0887

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