Ibiporã Acirraram-se ontem as discussões sobre a possibilidade de instalação de uma central para tratamento de lixo sólido e resíduos industriais numa área em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), próximo da divisa com Londrina. Se, por seu lado, a empresa interessada garante que segue à risca a legislação ambiental, um deputado estadual alega que há riscos e pode pedir a intervenção do Estado.
O diretor de operações da Momento Engenharia Ambiental, Álvaro Pereira Jorge, assegurou que a empresa segue ''100%'' o que exige a legislação. Ele disse que a intenção é tratar um problema que já existe na região: acabar com a destinação inadequada dada aos resíduos industriais. Além disso, justificou que o entorno do empreendimento terá uma série de benefícios, tais como ganho ambiental com o monitoramento constante da região; melhoria das rodovias de acesso; e valorização das propriedades.
Jorge garantiu ainda que toda a unidade será coberta e o processo de tratamento contará com tecnologia de ponta, o que minimizaria o risco de acidentes. Quanto ao pedido de complementação de informações do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima) feito pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) na semana passada, ele informou que está sendo apurado.
As críticas contra a construção da empresa vieram do deputado estadual José Maria Ferreira (PDT). Ele afirmou que a Momento estaria contrariando a resolução 001/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) quanto à proximidade da área urbana. O Conama aponta que a distância teria que ser de, pelo menos, seis quilômetros, o que não estaria sendo respeitada.
A empresa diz que segue o que é exigido. Além disso, o empreendimento estaria a menos de 16 quilômetros da área de aproximação de pouso do Aeroporto de Londrina, o que seria contrário às normas do Departamento de Aviação Civil (DAC). O deputado prometeu pedir ao governador Roberto Requião (PMDB) que impessa a instalação da empresa. ''Essa tem que ser uma posição de governo'', declarou.
Já o prefeito de Ibiporã, Reinaldo Ribeirete (PTB), lamentou que a discussão se torne ''meramente política''. Ele disse que conheceu a sede da empresa, em Blumenau (SC) e, mais do que isso, acredita no potencial de fiscalização dos órgãos ambientais. Ele lembrou que, hoje, muito dos resíduos industriais produzidos são despejados na natureza e a empresa poderá reverter essa situação. ''Não houve investimento nenhum da Prefeitura e não temos vínculo nenhum com a empresa'', garantiu o prefeito, que é presidente do Consórcio Intermunicipal para Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati).

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