Aumenta oferta de empregos para brasileiros no Japão
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O aumento do número de anúncios, em jornais e televisão, com ofertas de empregos para brasileiros no Japão, sugere que a crise daquele país retrocedeu. Em Londrina, agências de viagem e empresas especializadas na intermediação de empregos no exterior acenam com financiamentos e várias facilidades. Mas entidades e ex-dekasseguis alertam: é preciso cuidado para não cair em armadilhas.
Uma das razões para a abundância de ofertas seria o lançamento simultâneo de vários novos produtos na indústria japonesa de auto-peças e de componentes eletrônicos, exigindo reforços na mão-de-obra. A explicação é do proprietário da agência Work Japan em Londrina, Vinícius Mattozo. Ele afirma que neste ano as empreiteiras responsáveis pela contratação de funcionários para grandes fábricas estão solicitando mais nipo-brasileiros para trabalhar. ''Em alguns setores houve aumento das horas-extras, uma das vantagens que havia sido cortada no auge da crise'', afirma.
Os anúncios que vêm sendo estampados nos jornais e até na tevê aberta em Londrina, chamam a atenção. Há vagas para famílias inteiras, algumas anunciadas em caráter de ''urgência''. As agências oferecem emprego certo, providenciando passagens e toda a documentação necessária para o embarque. O cliente só paga depois que começa a trabalhar no Japão. E em prestações.
Tantas vantagens podem levar brasileiros, desiludidos com o desemprego, a se precipitar e cair em armadilhas. ''As pessoas aceitam pagar às agências um preço de viagem bem superior ao que pagariam se fossem por conta própria, porque assim terão emprego garantido. Mas aí elas chegam no Japão e são colocadas para trabalhar nos piores empregos possíveis, como em frigoríficos ou prensas onde a temperatura do ambiente chega a 80 graus'', denuncia Jonas (nome fictício), 37 anos.
Ele afirma ter testemunhado muitos casos assim nos 16 anos em que trabalhou no Japão, de onde retornou em março deste ano. Jonas, que chegou a trabalhar em uma empreiteira, aponta a existência de uma ''máfia'' envolvendo essas empresas e as agências no Brasil.
''Rola muito dinheiro nesses acordos. Os brasileiros se frustram com as condições de trabalho e decidem voltar, mas para isso são obrigados a continuar trabalhando lá até quitar a dívida. Muitas vezes os passaportes são retidos'', conta. O dekassegui ressalta, contudo, que as empresas mal-intencionadas são minoria.
A diretora da Aliança Cultural Brasil-Japão, professora Stella Okabayaski Fuzii, confirma a existência de uma máfia que explora o trabalho estrangeiro, e recomenda que os brasileiros consultem a relação de empreiteiras idôneas antes de viajar ao Japão. ''Temos uma relação oficial, reconhecida pelo governo japonês, que vem tentando desbaratar esse esquema'', informou. Essas informações podem ser obtidas diretamente na Aliança, que fica na Rua Paranaguá, 1782, Centro. O telefone é 3324-6418.


