Aumenta o risco de ataque de abelhas
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O clima quente faz aumentar a tensão entre as pessoas e as abelhas. Os dias de verão propiciam o surgimento de muitos enxames que, ao mesmo tempo que garantem mel e polinização das plantas, fazem crescer o número de ataques dos insetos.
O restaurador Amadeu Renato de Campos estava roçando o terreno no fundo do quintal, no bairro Alto da XV, em Curitiba, quando bateu em um galho ocupado por um enxame de vespas. Uma picada nas costas e outra na mão fizeram as duas áreas ficarem tão inchadas que o impediram de realizar qualquer atividade. ''A dor foi insuportável, não conseguia nem colocar a mão no chão. Depois de umas horas, fiquei um pouco tonto'', relata. Mesmo assim, ele não procurou um médico, como aconselham os profissionais.
A Associação Paranaense de Apicultores (APA) recebe cerca de 80 ligaões diárias de pessoas que buscam informações e soluções para o problema que as abelhas - involuntariamente - acabam se tornando. De dezembro a março, o número de colméias cresce. Nesse período, os insetos fazem uma produção massiva de mel, trocam de abelha-rainha e criam novos enxames. No inverno, as abelhas entram em uma espécie de hibernação.
O desmatamento também favorece a migração de abelhas das matas para as cidades, diz Miriam Gonzaga de Oliveira, que presta serviços para a APA e trabalha com abelhas há 25 anos. Ela explica que um enxame pode chegar a 80 mil abelhas. ''O que as pessoas chamam de ataque é a defesa das abelhas. Só se defendem quando são incomodadas pelas pessoas. Depois de uma ferroada, a abelha morre, pois o ferrão faz parte do sistema nervoso dela'', explica Miriam.
Segundo ela, o ideal para evitar problemas é fazer a retirada dos insetos - e nunca destruir os enxames. Ela lembra que órgãos como o Corpo de Bombeiros e as prefeituras não fazem mais a retirada de colméias, pois, em vez de retirar os enxames com segurança, acabavam matando as abelhas, o que a lei não permite.
Apenas empresas privadas podem fazer o manejo, que é controlado por lei. De acordo com Roberto Amorim, biólogo de uma empresa que realiza o trabalho, o serviço consiste em retirar os insetos e levar para um local sem colocar em risco a vida do enxame. Geralmente as abelhas ficam sob a guarda de apicultores. O processo de manejo dura cerca de duas horas e custa, no mínimo, R$ 100.
Ele explica que se deve evitar matar as abelhas, principalmente esmagadas. Quando isso acontece, elas liberam um feromônio que convoca as outras a atacar. Ao sofrer um ataque, a pessoa deve proteger a cabeça, pois as abelhas se guiam pelo calor do corpo.
Serviço: Associação Paranaense de Apicultores - (41) 3256-0504.


