Aumenta o número de transplantes no Paraná
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de maio de 2013
Érika Gonçalves<bR>Reportagem Local 
Aumentou em 11,7% o número de transplantes de órgãos realizados no Paraná neste primeiro trimestre, segundo dados divulgados pela Central Estadual de Transplantes. No mesmo período do ano passado foram realizados 94 procedimentos, contra 105 em 2013. De acordo com a coordenadora da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplante (Copot) da macrorregião de Londrina, Ogle Bacchi, o crescimento é resultado de um trabalho conjunto.
"Há dois anos vem ocorrendo um aumento dos transplantes. Houve mudança de estratégia, o governo estadual tem investido nas equipes, apoiando os hospitais. A Associação Brasileira de Medicina Intensiva tem feito um trabalho para que os pacientes em morte encefálica sejam identificados e isso aumenta o universo de doadores. Na nossa macrorregião, em 2011 foram 97 diagnósticos de morte encefálica e em 2012 foram 122. Por outro lado, a sociedade também está mais informada e isso facilita a doação", declara Ogle. Nesta macrorregião estão abrangidas as regionais de Saúde deLondrina, Cornélio Procópio, Apucarana, Jacarezinho e Ivaiporã.
De acordo com a coordenadora, o protocolo rigoroso e a possibilidade de a família levar um médico de sua confiança para acompanhar o processo de diagnóstico de morte encefálica faz com que tenham mais tranquilidade na hora de autorizar a doação. "A partir do momento que crescem os transplantes numa localidade, as pessoas se tornam mais esclarecidas também e consequentemente há um aumento nas autorizações."
Os aumentos mais expressivos no Estado foram dos transplantes de rim de 61 para 67 - e de fígado de 22 para 25. Os transplantes de pâncreas subiram de 6 para 8, sendo que destes 7 foram feitos em conjunto com transplantes de rim. O único número igual foi o de coração 5 nos dois períodos.
Em Londrina são realizados apenas transplantes de rim, coração e córneas. Ogle explica que os procedimentos de rim foram 5 em 2012 e neste ano já foram 7. O de coração aumentou 100%, passando de 1 para 2 neste ano. "No ano passado fizemos 78 transplantes de córnea e conseguimos zerar a fila. Neste ano foram 31 e não temos pacientes esperando pelo transplante", atesta.
Ogle lembra da importância de se conversar com a família sobre o desejo de ser um doador. "A doação será autorizada por um familiar. Eles devem conhecer a sua vontade, isso ajuda na decisão, que é tomada com mais segurança e mais tranquilidade. Os documentos registrados em cartório têm valor moral, mas não legal", explica, reforçando que as campanhas sobre a doação de órgão oportunizam a reflexão do tema.
Famílias esclarecidas
Erika Fernanda dos Santos Bezerra Ludwig, enfermeira responsável pela Comissão Intra-hospitar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal) concorda sobre a importância da conscientização das pessoas.
"As famílias têm ouvido falar mais no assunto, elas conversam em casa, já chegam com a posição delas sobre a doação. Elas sabem como funciona e como o processo é rígido e sério. As recusas acontecem mais por motivos religiosos e conceitos pessoais. É raro a família que chega já dizendo que quer doar. As pessoas têm dificuldade de falar da morte e em geral só se fala disso quando todas as hipóteses (de recuperação do paciente) já foram esgotadas", afirma.
Erika explica que depois que o cérebro dá sinais de que parou, são feitos vários testes e exames. Quando não há circulação de sangue no cérebro é atestado o óbito. "Somente depois disso falamos em doação", explica. Começa então o processo de notificação da Central Estadual de Transplantes, que irá localizar o doador no Estado e providenciar a retirada e transporte dos órgãos.
Ela afirma que das 36 notificações de morte encefálica ocorridas em 2012, 21 eram viáveis para transplante, ou seja, não havia qualquer restrição de idade ou diagnóstico que impedisse o procedimento. "Desse total, tivemos 11 doações e 10 recusas. Neste ano já tivemos 11 notificações, sendo que 2 foram contraindicados, 5 recusaram e 4 fizeram a doação."


