Com a aproximação das festas de fim de ano há um incremento do fluxo de pessoas em Londrina e isso resulta também em um aumento do número de pedintes e moradores de rua. Segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência Social, cerca de 300 pessoas estão em situação de rua e a estimativa é de um aumento de 10% nesse período. Integrantes da secretaria realizaram nesta semana uma reunião para planejar a campanha de conscientização à população, pedindo que não deem esmolas.
Segundo a coordenadora do Serviço de Abordagem Social, a psicóloga Lucinéia Maria Ribeiro, a população acredita que, ao dar esmolas, está ajudando. Na verdade, segundo ela, isso contribui para que muitas pessoas continuem comprando drogas e estimula a permanência nas ruas. ''É uma luta desigual para a gente, pois eles sempre conseguem adquirir essas substâncias psicoativas'', relatou.
Lucinéia conta que, segundo os moradores, a ''arrecadação'' diária dos pedintes pode chegar a R$ 100 e que a maioria desse valor é para uso de drogaas, como crack e maconha, além de bebidas alcoólicas. ''Atualmente, 100% das pessoas que estão nas ruas fazem uso de substância psicoativas'', garante a coordenadora. Ela informou ainda que a idade varia de 12 até 87 anos, sendo 60% composta por pessoas entre 20 e 40 anos.
Segundo a coordenadora, muitas pessoas se recusam a receber o atendimento da equipe de abordagem, alegando que conseguem tudo o que precisam nas ruas. Para exemplificar, ela cita o caso de um homem do Jardim Bandeirantes, na zona oeste. ''Ele recusa ser atendido porque a população sempre dá comida e esmolas para ele adquirir bebida. A perna dele está ferida, ele precisa de atendimento urgente, mas não aceita nem que façamos um curativo, mesmo diante de uma UBS (Unidade Básica de Saúde), alegando que pode se virar sozinho'', relatou.
Mapeamento
Lucinéia informou que foi realizado o mapeamento, constantando que essas pessoas frequentam o Terminal Rodoviário (zona leste), os postos de combustíveis desativados, a Praça Dom Pedro I (Jardim Shangri-lá, zona oeste) e outros dez imóveis particulares, localizados majoritariamente na área central.
No dia 16 deste mês a FOLHA publicou reportagem sobre os moradores de rua que dormem na Rodoviária e no posto desativado localizado na Avenida Dez de Dezembro, na zona leste.
Uma das pessoas encontradas no posto foi o servente de pedreiro Márcio Rodrigues da Silva, de 41 anos. Ele disse que veio de Cianorte (Noroeste) em busca de trabalho, mas está tendo dificuldades por não possuir documento pessoal. ''Eu não sei onde fui registrado e meus pais morreram'', afirmou.Ele garantiu à reportagem que não faz uso de drogas e que frequentemente é retirado do posto pelos dependentes de crack. ''Quando isso acontece eu vou para o outro posto de combustíveis para poder dormir.''

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