Aumenta número de queixas contra ex-vereador
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sexta-feira, 19 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba Moradores de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, parecem ''menos perplexos agora''. A opinião é do presidente da Câmara de Vereadores, Marcelo Puppi, comentando o caso do ex-vereador Cláudio Thadeu Cyz, preso anteontem pela Polícia Federal (PF), acusado de dar calote e fugir com o dinheiro de cerca de quatro mil pessoas. A prisão ocorreu em São Paulo, logo depois que o ex-vereador chegou de Lisboa, Portugal, acompanhado de sua companheira Adelir Suzuki, que também foi presa.
Segundo Puppi, antes da prisão do ex-vereador, ''existia um sentimento de dúvida quanto ao seu desaparecimento''. Ele explica que Cyz tinha boa reputação na região e, mesmo quando os boatos sobre sua fuga começaram a surgir, parte da cidade não acreditava que ele pudesse ter roubado o dinheiro dos moradores.
O superintendente da Delegacia de Campo Largo, Neimir Cristovão, informou que depois da prisão o número de pessoas que o procuraram para prestar queixas aumentou. ''Entre quinta-feira e ontem, de 20 a 30 pessoas prestaram depoimentos por iniciativa própria'', calculou. Desde que Cyz desapareceu, no dia 17 de março, cerca de mil clientes já foram ouvidos.
A maioria das vítimas, no entanto, ainda deve permanecer no anonimato. É que alguns teriam conhecimento do esquema da empresa do ex-vereador, que prometia ganhos de até 8% do dinheiro investido pelo cliente. Conforme explicou a assessoria da PF, Cyz retirava o dinheiro que surgia das aplicações de novos clientes para pagar as retiradas solicitadas por clientes antigos. Na época em que a reportagem esteve na cidade para conversar com as supostas vítimas, a maioria confessou que teria inclusive comprado casas e carros com o dinheiro investido.
''Mas outra parte dos clientes era de pessoas humildes, que confiavam no ex-vereador e entregaram todo o dinheiro que tinham pra ele'', explicou Puppi. Ontem à tarde, um comerciante da cidade que não quer se identificar disse que ''acha difícil recuperar o dinheiro investido, porque o negócio era meio ilegal''.
A assessoria da PF informou que ainda será feito um levantamento do patrimônio do ex-vereador e que a Justiça poderá ressarcir as vítimas. A PF acredita que os clientes podem ter perdido R$ 50 milhões no total. O superintendente afirma no entanto que, levando em conta o depoimento de quem prestou queixas na delegacia da cidade, a perda até agora é de cerca de R$ 15 milhões.
Ele revelou ainda que os membros da Casa pensaram em abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). ''Mas não era da nossa alçada. O Cláudio (Cyz) acabou tendo seu mandato extinto porque deixou de comparecer a cinco sessões legislativas consecutivas, e não porque teria aplicado um golpe nos moradores'', disse ele.
Conforme a assessoria da PF, o inquérito instaurado há pouco mais de um mês está quase finalizado. Já foram feitas buscas e apreensões, inclusive de R$ 320 mil em um veículo e num apartamento, além de documentos que comprovam as atividades ilícitas do casal. Até ontem, o casal continuava presos na Superintendência da PF.


